janeiro 22, 2008

O International Herald Tribune revela um plano ‘brilhante‘ da UE para o reconhecimento da independência do Kosovo


"O Kosovo vai declarar a sua independência nos primeiros dois meses de 2008 e será reconhecido pelo Reino Unido, França, Itália e Alemanha dentro de 48 horas". Segundo o relata o mesmo jornal, fontes oficiais europeias descreveram "uma cuidadosamente orquestrada declaração de independência, provavelmente após as eleições sérvias, em inícios de Fevereiro, seguida de uma declaração da UE e do reconhecimento dos grandes Estados europeus. Mais países irão então reconhecer a independência do Kosovo numa sequência de anúncios" devidamente articulada. Esta começará com o reconhecimento pelos EUA e de outros países europeus não membros da UE, seguidos de um outro grupo composto pela Turquia, Macedónia, Albânia, Montenegro, Croácia e Eslovénia. Em seguida serão os 56 membros da Organização da Conferência Islâmica" (ver artigo integral do jornal International Herald Tribune). Como se pode ver, esta notável estratégia da Política Externa e de Segurança Comum (PESC) europeia, mostra uma qualidade de liderança e visão de futuro que vai certamente ser lembrada pelas gerações vindouras. Os motivos para rejubilar são muitos. Abre um precedente para as minorias com aspirações independentistas (bascos e catalães em Espanha, corsos em França, flamengos na Bélgica, sérvios da República Serbsca da Bósnia, húngaros da Transilvânia na Roménia, cipriotas turcos de Chipre, chechenos da Rússia, etc., todos estão reconhecidos por este precedente face ao Direito Internacional... ). Mas também trabalha altruísticamente para o "outro", ou seja, para o alargamento da Organização da Conferência Islâmica (OCI) em território europeu a mais um Estado muçulmano (isto para que a Albânia, com cerca de 70% da população muçulmana, e que já é membro da OCI, não se sinta isolada nesse "clube muçulmano"), abrindo o Kosovo à influência da Arábia Saudita, Egipto, Paquistão, Irão etc., todos ansiosos por projectarem a sua ideologia "liberal" e "secularista" sobre os muçulmanos dos Balcãs e subverterem o seu Islão tradicional, visto como demasiado soft e relaxado nas suas práticas, devido a quatro décadas de comunismo jugoslavo. Bem haja, Sr. PESC! Há ainda a questão do islamismo radical e do jihadismo que desta forma ganha terreno às portas da UE e do espaço Schengen, mas como este é (oficialmente) tão existente como os homossexuais no Irão de Ahamadinejad, podemos certamente todos dormir descansados.
JPTF 2008/01/22

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