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abril 08, 2007

Filme: “300” de Zack Snyder, a história ficcional da Batalha das Termópilas (480 a.C.), entre gregos e persas, que irritou Mahmoud Ahmadinejad



O filme 300 é uma adaptação ao cinema da banda desenhada 300, do norte-americano Frank Miller. A história é inspirada na Batalha das Termópilas, ocorrida em 480 a.C., onde as cidades-estado gregas se uniram para enfrentar e derrotar o invasor persa. A narrativa decorre à volta do Rei de Esparta (Leónidas) e 300 dos seus soldados, que lutaram até o último homem contra o imperador da Pérsia, Xerxes, dotado do maior exército da Antiguidade. Praticamente sem possibilidades de sobrevivência e de vitória, o sacrifício dos 300 espartanos para travar os exércitos imperiais persas, inspirou a posterior união das cidades-estado helénicas, que acabaram por derrotar e repelir os invasores do seu território. O Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, provavelmente a pensar no mau presságio que a Batalha das Termópilas traz ao seu sonho de potência nuclear, não gostou desta mistura entre ficção e realidade. A guerra de ideias já chegou à banda desenhada e ao cinema.
JPTF 2007/04/08

janeiro 08, 2007

Livro “A Queda de Roma e o Fim da Civilização”, de Bryan Ward-Perkins (trad. port. de Inês Castro), Lisboa, Alêtheia Editores, 2006



O livro do historiador e arqueólogo Bryan Ward-Perkins, professor da Universidade de Oxford, traz-nos uma interpretação estimulante e sustentada sobre o fim do Império Romano, baseada num trabalho arqueológico efectuado essencialmente sobre peças de cerâmica. O uso da investigação arqueológica e dos métodos científicos de datação, dá solidez à sua tese principal sobre a queda de Roma e da civilização (palavra que este usa, deliberadamente, em contra-corrente com a actual preferência histórico-antropológica pelo conceito nivelador e asséptico de «cultura»). Nas suas próprias palavras (p. 244), “o fim do Ocidente romano foi testemunha de horrores e perturbações que espero nunca viver; e destruiu uma civilização complexa, atirando os habitantes do Ocidente de volta a um padrão de vida típico da época pré-histórica”.

Ward-Perkins levanta também questões profundas sobre a investigação histórica, a produção de ideias sobre o passado e a sua interacção com as ideologias do presente. Neste contexto, particularmente interessantes são os exemplos que este dá sobre a maneira como o passado tende a ser reinterpretado, à luz dos acontecimentos presente. Um dos exemplos é sobre a Alemanha (pag. 230): “Existe inevitavelmente uma estreita relação entre a forma como vemos o nosso mundo e a forma como interpretamos o passado. Por exemplo, existe uma certa ligação entre as interpretações dos invasores germânicos como principalmente pacíficos e o sucesso notável (e merecido) que a Alemanha moderna alcançou. Mais à frente, surge outro exemplo, agora sobre a nova historiografia promovida pela União Europeia (pag. 232): “A União Europeia precisa de forjar um espírito de cooperação entre as outrora nações guerreiras do continente [...] Nesta nova concepção do fim do mundo antigo, o Império Romano não é «assassinado» por invasores germânicos; pelo contrário, romanos e germânicos transportam juntos muito do que era romano, para um novo mundo romano-germânico. A Europa «latina» e «germânica» está em paz”.

Por tudo isto, é um livro importante para todos os que, sendo ou não historiadores, se interessam pela Antiguidade Clássica e pelo fim do Império Romano. Mas é também uma leitura que obriga a reflectir e a adquirir consciência crítica sobre a interpretação «histórica» do passado, feita à luz das ideias e ideologias do presente, nem sempre de forma inconsciente ou desinteressada das políticas actuais.
JPTF 8/01/2007