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julho 21, 2010

Obama: o risco de falhanço no Afeganistão e no Iraque


Barack Obama is caught in a Catch-22 situation: If America's wars in Afghanistan and Iraq fail, they will overshadow any of his domestic achievements. The end game in the leadership role of the United States in the world began long ago. Can the Afghanistan conference deliver a breakthrough?

There is a name that is now being mentioned frequently in the debate over America's wars, a name that does not bode well for US President Barack Obama: Lyndon B. Johnson, the 36th president of the United States. Johnson, who, like Obama, was both a Democrat and an energetic reformer, ultimately failed because of an overseas war being fought by US troops. The Vietnam War prevented Johnson from being remembered as one of the most prominent US presidents in the history of the 20th century. [...]

Ver artigo no Der Spiegel

maio 05, 2010

O uso do PowerPoint está a empobrecer o pensamento estratégico? ‘Quando percebermos isto a guerra está ganha‘ in New York Times


O mês passado, em Cabul, mostraram ao general Stanley McChrystal, chefe das forças dos EUA e da OTAN no Afeganistão, um diapositivo PowerPoint que pretendia representar a complexidade da estratégia militar dos EUA. Parecia uma tigela com esparguete.

"Quando percebermos esse diapositivo, a guerra está ganha", observou McChrystal secamente. A sala desatou a rir.

Depois deste episódio o diapositivo andou de mão em mão na internet como exemplo de ferramenta militar fora de controlo. Pela calada, como um rebelde, o PowerPoint insinuou-se no dia-a-dia dos comandantes militares, atingindo o nível de uma quase obsessão. A quantidade de tempo gasto com o PowerPoint - o programa de apresentação de diapositivos da Microsoft que gera tabelas, gráficos e identificadores de enumerações - tornou-o uma anedota constante no Pentágono, mas também no Iraque e no Afeganistão.

"O PowerPoint torna-nos estúpidos", declarou este mês, numa conferência militar realizada na Carolina do Norte, o general Games Matais, do corpo de fuzileiros e comandante das forças conjuntas (que falou sem recorrer ao PowerPoint). O general de brigada H. R. Mimastes, que proibiu as apresentações em PowerPoint quando chefiou a campanha, bem-sucedida, para tomar a cidade e Tal Afar, no Norte do Iraque, em 2005, falou nos mesmos moldes, equiparando o PowerPoint a uma ameaça interna.

"É perigoso porque pode levar-nos a imaginar que compreendemos e dá a ilusão de domínio", disse McMaster numa entrevista telefónica pouco depois. "Nem todos os problemas do mundo se podem resolver com marcas de enumeração."

Na perspectiva de McMaster, o maior defeito do PowerPoint não são imagens como a do esparguete (divulgada pela primeira vez por Richard Engel, da NBC), mas sim as listas rígidas com marcas de enumeração (por exemplo, numa apresentação sobre as causas de um conflito), que não têm em conta a interligação das vertentes política, económica e étnica. "Se isolarmos uma guerra de tudo isso, ela torna-se um mero exercício de tiro ao alvo", diz McMaster.

Os comandantes dizem que por detrás das piadas sobre o PowerPoint estão graves preocupações com a responsabilidade do programa no enfraquecimento do debate e do pensamento crítico e na falta de ponderação de muitas decisões. Além disso, o programa empata os oficiais de patente inferior - conhecidos por PowerPoint Rangers - na preparação quotidiana de diapositivos, sejam para uma reunião do estado-maior general em Washington, sejam para que um comandante de pelotão os apresente num plano de combate preparatório de uma operação num local remoto do Afeganistão.

O ano passado, quando um website militar - o Company Command - perguntou a um comandante de pelotão do Exército no Iraque, o tenente Sam Nuxoll, em que passava a maior parte do tempo, ele respondeu, "a fazer diapositivos em PowerPoint". Quando o website insistiu para obter uma resposta, o tenente garantiu que falava a sério.

"Tenho de fazer um storyboard, apoiado por imagens digitais, diagramas e resumos de texto, sobre praticamente tudo o que acontece", contou Nuxoll ao website. "Para organizar uma acção-chave há um storyboard; para conceder um micro-subsídio, há um storyboard."

Apesar dos relatos deste tipo, a "morte por PowerPoint", expressão utilizada para descrever a sensação de entorpecimento provocada por um briefing com 30 diapositivos, parece ter vindo para ficar. O programa, que foi disponibilizado ao público pela primeira vez em 1987 e foi comprado pela Microsoft pouco depois, está profundamente enraizado na cultura militar, que passou a depender do PowerPoint para conferir ordem hierárquica a um mundo conturbado.

"Há muita resistência ao PowerPoint, mas não me parece que vá ser descartado nos tempos mais próximos", diz o capitão Crispin Burke, oficial de operações do exército em Fort Drum (Nova Iorque), que, com o pseudónimo Starbuck, escreveu um artigo sobre o PowerPoint no website Small Wars Journal em que citava o comentário de Nuxoll.

Durante uma chamada telefónica diurna, disse calcular que todos os dias passava uma hora a fazer diapositivos em PowerPoint. Numa primeira mensagem de correio electrónico, respondendo a um pedido de entrevista, escreveu: "Poderia estar livre hoje à noite, mas tenho de trabalhar até tarde (para mal dos meus pecados, a fazer diapositivos PPT)."

O secretário da Defesa Robert Gates passa em revista diapositivos PowerPoint impressos nas reuniões de comando matinais, embora insista em recebê-los de véspera, de maneira a poder lê-los com antecedência e reduzir o tempo dos briefings.

O general David Petraeus, responsável pela supervisão das guerras no Iraque e no Afeganistão, diz que assistir a briefings com PowerPoint é "pura agonia", apesar de gostar do programa por causa dos mapas e das estatísticas que mostram tendências. Ele próprio já fez umas quantas apresentações apoiadas em PowerPoint.

Em Cabul, McChrystal recebe dois briefings em PowerPoint por dia e mais três durante a semana. Mattis, apesar da sua visão crítica do programa, diz que um terço dos seus briefings são feitos com o PowerPoint.

Richard Holbrooke, representante especial da administração Obama para o Afeganistão e para o Paquistão, recebeu briefings em PowerPoint durante uma deslocação ao Afeganistão no Verão passado em três locais onde esteve - Kandahar, Mazar-i-Sharif e Base Aérea Bagram. Num quarto local, Herat, as forças italianas aí estacionadas não só brindaram Holbrooke com um briefing em PowerPoint como o acompanharam de um arrebatador tema orquestral.

No Outono passado, por ocasião da reapreciação da estratégia para o Afeganistão, realizada na sala de crise da Casa Branca, foram apresentados ao presidente Barack Obama diapositivos em PowerPoint, na sua maioria mapas e gráficos.

Os comandantes militares dizem que os diapositivos veiculam menos informações que as que podem ser incluídas contidas num relatório de cinco páginas e que dispensam o relator de polir a respectiva redacção de maneira a transmitir o seu teor de maneira analítica e convincente. Imagine-se os advogados a apresentarem os seus argumentos perante o Supremo Tribunal em diapositivos em vez de em relatórios jurídicos.

O ensaio de Burke publicado no Small Wars Journal citava também um ataque, muito divulgado, ao PowerPoint publicado na "Armed Forces Journal" o Verão passado, da autoria de Thomas Hammes, coronel dos fuzileiros na reforma, cujo título, "Marcas de enumeração imbecilóides", reforçava as críticas ao carácter vago das marcas de enumeração: "Acelerar a disponibilização de novas armas", por exemplo, não diz de facto quem as deve disponibilizar.

Ninguém pretende dizer que a culpa dos erros cometidos nas guerras em curso é do PowerPoint, mas o facto é que o programa se tornou famoso durante a preparação da invasão do Iraque. Como o livro "Fiasco", de Thomas Ricks (ed. Penguin Press, 2006) conta, o general David McKiernan, que chefiou as forças terrestres aliadas durante a invasão do Iraque em 2003, ficou frustrado por não conseguir que o general Tommy Franks, ao tempo comandante das forças dos EUA estacionadas no golfo Pérsico, desse ordens que indicassem explicitamente como queria que a invasão fosse conduzida e porquê. Em vez disso, o general Franks limitou-se a passar a McKiernan os vagos diapositivos PowerPoint que já mostrara a Donald Rumsfeld, o secretário da Defesa da altura.

Os oficiais superiores dizem que o programa é muito útil sempre que o objectivo seja não dar informações, como é o caso dos briefings destinados a repórteres.

As sessões de comunicação à imprensa são geralmente de 25 minutos, com cinco minutos no fim destinados a perguntas de quem ainda esteja acordado. Esse tipo de apresentações PowerPoint, diz Hammes, são conhecidas como "hipnotização de galinhas".

Ver artigo original do New York Times e a tradução publicada pelo Jornal i

janeiro 19, 2010

‘Kabul atingida em pleno coração‘ in Courrier International


Un groupe d’extrémistes a lancé, le 18 janvier, une attaque spectaculaire contre le gouvernement afghan. Deux kamikazes ont fait exploser des bombes tandis que des affrontements se déroulaient à 50 mètres seulement des portes du palais présidentiel. Selon les autorités afghanes, 3 soldats, 2 civils et 7 assaillants ont trouvé la mort, et au moins 71 personnes ont été blessées.

Cette attaque était avant tout destinée à ébranler le calme de la capitale afghane. Les talibans sont un phénomène essentiellement rural dans un pays essentiellement rural. La grande majorité des troupes américaines est déployée dans les zones rurales, à l’extérieur des grandes villes. La plupart du temps, la guerre ne touche pas les centres urbains. Les talibans portent cependant de plus en plus la guerre au cœur des villes, ce qui démoralise les Afghans et donne l’impression qu’aucune partie du pays n’est épargnée. Les incidents du 18 janvier semblent destinés à semer la peur dans les quartiers habituellement tranquilles du centre de Kaboul et à montrer que les insurgés peuvent aisément frapper le gouvernement afghan soutenu par les Etats-Unis. A cet égard, l’attaque a été une réussite totale. Le marché Faroshga est en ruine, complètement dévasté. Les rues de Kaboul se sont vidées. Les commerçants ont fermé boutique et les Afghans ont quitté leur bureau. Même les gardes du président afghan ont participé aux combats. Selon Zabihullah Mujahid, porte-parole taliban, l’attaque était une réaction aux propositions américaine et afghane de “réconciliation” et de “réintégration” des combattants talibans dans la société, un projet qui est au cœur de la campagne américaine pour renverser le cours de la guerre et qui sera exposé par Hamid Karzai, le 28 janvier, lors d’une conférence internationale à Londres. “Nous sommes prêts à nous battre, nous avons la force de nous battre et personne chez les talibans ne veut d’un quelconque accord”, affirme-t-il.

Le raid du 18 janvier s’est déroulé selon un processus de plus en plus familier qui rappelle l’assaut contre le ministère de la Justice en février 2009 [qui avait fait 26 morts]. Un homme portant une ceinture d’explosifs s’est approché des portes de la banque centrale et a essayé de franchir le barrage des gardes. Ceux-ci l’ont abattu, mais l’homme a réussi à faire exploser sa charge dans la rue. En quelques minutes, des centaines de commandos, de soldats et de policiers afghans ont encerclé la place du Pachtounistan. Aucun soldat américain n’était sur place. Les seuls militaires occidentaux présents sur les lieux étaient un petit commando néo-zélandais. Un groupe de commandos afghans a déclaré être venu directement de l’entraînement. “On était en plein exercice quand on a eu le message”, explique Bawahudin, un jeune membre d’une unité antiterroriste. Au signal, les hommes se sont mis à courir. Les yeux de Bawahudin reflétaient la peur. Tandis que la bataille faisait rage, une onde de choc s’est répandue dans une autre partie de la ville. Un autre terroriste venait de faire exploser une camionnette arborant le nom de l’hôpital Maiwan. Les policiers ont tiré de la carcasse les restes d’un homme – trapu et à la peau foncée. Un Arabe, ont-ils affirmé. Mais personne ne semblait en être très sûr.


http://www.courrierinternational.com/article/2010/01/19/kaboul-frappe-en-plein-coeur