outubro 19, 2012
outubro 12, 2012
Um curiosa perspectiva polaca sobre a União Europeia: ‘Conto das três Europas‘ cada vez mais distantes entre si
A primeira Europa, atingida pela crise da dívida, cerra fileiras para se salvar do desastre. Fá-lo com maior ou menor êxito, mas, pelo menos para já, tem-se mantido de pé.
A segunda Europa está na bancada, observando nervosamente como correm as coisas na primeira. Não se quer juntar a ela no imediato, porque não sabe se ela vai sobreviver e tal associação tem custos. Mas teme que, se a primeira Europa sobreviver, o fosso que as separa venha a aumentar muito. E que, quando finalmente se lhe juntar, não tenha peso. Uma esquizofrenia.
A terceira Europa já não é realmente Europa. Vive na sombra de uma antiga glória, coberta pela pátina de um império, convencida da sua singularidade e capacidade de sobreviver sem as outras Europas. É dominada pelo egoísmo nacional. É por isso que a terceira Europa adverte a primeira e a segunda de que não hesitará em bloquear o seu avanço, se tiver que defender os seus próprios interesses. Porque eles estão acima de tudo o resto.
Os países da primeira Europa estão a tentar avançar na integração e coordenação das suas políticas económicas, ficando o controlo dos países mais fortes sobre os mais fracos cada vez mais apertado. A Europa nº 2 está a tentar controlar o que está a acontecer na Europa nº 1, porque estamos todos no mesmo combóio. A Europa nº 3 está contente por se ter dado a divisão, porque há muito que tinha vontade de seguir o seu próprio caminho. [...]
Ver artigo em presseurop e versão original no jornal polaco Gazeta Wyborcza
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outubro 09, 2012
‘Working paper‘ do FMI aponta caminho diferente de saída da crise
A
valorização do euro entre 2000 e 2009 e a nova vaga de globalização -
com a emergência da China, a integração da Europa de Leste na União
Europeia e os choques petrolíferos e de preços de outras commodities
- provocaram um abalo "assimétrico" dentro da zona euro, com os países
"periféricos" a serem as vítimas de um ecossistema que gerou o aumento
do endividamento e a perda de competitividade durante essa década. A
grande crise financeira que irrompeu em 2007 veio colocar a nu essa nova
realidade.
"A evidência que encontrámos de choques
assimétricos exige que se coloquem no terreno mecanismos de partilha
centralizada de risco e de transferência através dos países da zona euro
de modo a facilitar o ajustamento em relação aos choques específicos de
cada país", afirmam Ruo Chen, Gian-Maria Milesi-Ferretti e Thierry
Tressel em "External Imbalances in the Euro Area" (Desequilíbrios
externos na zona euro"). O trabalho de investigação dos três
especialistas do Departamento de Investigação do Fundo Monetário
Internacional (FMI) foi publicado nos "Working Papers" daquela
instituição em setembro e aparecerá na revista "Economic Policy". O
estudo centrou-se nos cinco maiores devedores líquidos da zona euro -
Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal.
Por isso, aqueles economistas do FMI afirmam que o
"ajustamento externo" naqueles países deficitários não pode depender
apenas do que "tradicionalmente" é recomendado - uma "mistura", por um
lado, de políticas de consolidação orçamental e desvalorização interna
e, por outro, de fomento da produtividade e da competitividade das
exportações.
"O ajustamento [dos periféricos] seria enormemente
facilitado pelo alívio dos fatores externos", dizem os economistas do
FMI. O que implicará forte procura externa (fomentada pelos membros da
zona euro com excedentes), condições de financiamento menos onerosas e,
também, uma depreciação do euro. "Ter no terreno transferências
orçamentais, condicionadas por exigência de governação forte, será
particularmente importante, dada a fraca mobilidade do trabalho e em
virtude de rigidez no mercado de trabalho na zona euro", sublinham os
investigadores. [...]
Ver artigo do Expresso e o Working paper do FMI
Ver artigo do Expresso e o Working paper do FMI
outubro 08, 2012
Regiões mais ricas querem redesenhar o mapa da Europa
Ao mesmo tempo que, da crise da zona euro, poderá vir a emergir uma União Europeia pós-nacional, caminhando no sentido de mais união fiscal e do controlo mais centralizado dos orçamentos e bancos nacionais, a crise acelerou os apelos à independência das regiões mais ricas de alguns Estados-membros, encolerizadas por terem de financiar as regiões mais pobres.
O presidente catalão, Artur Mas, abalou recentemente a Espanha e os mercados ao convocar eleições regionais antecipadas e ao prometer um referendo sobre a independência de Espanha, apesar de Madrid o considerar ilegal. A Escócia planeia realizar um referendo sobre a independência no outono de 2014. Os flamengos da Flandres obtiveram uma autonomia quase total, a nível administrativo e linguístico, mas ainda se ressentem daquilo que consideram ser a hegemonia remanescente dos belgas de língua francesa e da elite de Bruxelas, emoções que estarão patentes nas eleições autárquicas de 14 de outubro. Há inúmeras coisas, como casamentos, que mantêm unidos países descontentes: história partilhada, guerras partilhadas, inimigos comuns. Mas a crise económica na União Europeia está também a pôr a nu velhos ressentimentos. [...]
Ver o artigo original do NYT e a tradução portuguesa da presseurop
outubro 03, 2012
Pessimismo para chamar à atenção ou visão realista do futuro? (Mais) um economista que antevê a economia portuguesa fora do euro
Sinopse do Livro
O euro tem graves problemas de arquitectura, para além de ter acumulado muitos erros de gestão, agravados pelas suas propriedades de instabilidade intrínseca. As reformas necessárias à sobrevivência do euro são politicamente inaceitáveis para os países que teriam que arcar com a maior fatia da factura, em particular a Alemanha. Assim, é cada vez mais provável um qualquer tipo de desagregação do euro, que pode começar com a saída da Grécia desta zona monetária.
Ver a entrevista com o autor no Jornal i
setembro 28, 2012
Paul Krugman: ‘a loucura da austeridade na Europa‘ não tem qualquer finalidade útil
So much for complacency. Just a few days ago, the conventional wisdom
was that Europe finally had things under control. The European Central
Bank, by promising to buy the bonds of troubled governments if
necessary, had soothed markets. All that debtor nations had to do, the
story went, was agree to more and deeper austerity — the condition for
central bank loans — and all would be well.
But the purveyors of conventional wisdom forgot that people were
involved. Suddenly, Spain and Greece are being racked by strikes and
huge demonstrations. The public in these countries is, in effect, saying
that it has reached its limit: With unemployment at Great Depression
levels and with erstwhile middle-class workers reduced to picking through garbage in search of food, austerity has already gone too far. And this means that there may not be a deal after all.
Much commentary suggests that the citizens of Spain and Greece are just
delaying the inevitable, protesting against sacrifices that must, in
fact, be made. But the truth is that the protesters are right. More
austerity serves no useful purpose; the truly irrational players here
are the allegedly serious politicians and officials demanding ever more
pain. [...]
Ver texto integral de ‘Europe’s Austerity Madness‘ no NYT
setembro 21, 2012
setembro 12, 2012
Primavera Árabe ou Primavera Islamista? (Parte I – o equívoco das grelhas de leitura ocidentais)
2. A expressão “Primavera Árabe” é, por isso, uma evocação sublime e tocante de outras "primaveras" europeias. Desde logo, a “Primavera de Praga”, ocorrida na ex-Checoslováquia, no ano 1968, numa revolta contra a opressão e autoritarismo do regime comunista. Esta foi celebrizada na literatura pela obra do escritor checo, Milan Kundera, “A Insustentável Leveza do Ser”, mais tarde adaptada também ao cinema por Philip Kaufman. Foi precursora, em duas décadas, da revolta dos países da Europa Central e de Leste, que levaram à queda do muro de Berlim (1989) e à dissolução do Império Soviético (1991). Todavia, a designação “Primavera de Praga”, um acontecimento da segunda metade século passado, já foi um remake de uma outra Primavera – a "original" –, ocorrida no século XIX, a que os historiadores chamaram a “Primavera dos povos” de 1848. Nessa época, desencadeou-se um conjunto de revoltas e revoluções, baseadas num misto de revindicações liberais, democráticas e nacionalistas. Ocorreram em grande parte da Europa e eram dirigidas contra as monarquias tradicionais e os Estados multinacionais, governados por casas reais multiseculares como os Habsburgos do Império Austríaco (mais tarde Austro-Húngaro).
3. Com este quadro mental bem enraizado, o europeu e ocidental interpreta, ainda que o possa fazer de forma inconsciente, a evolução histórica dos outros povos do mundo como decorrendo em direcção a uma finalidade, que é similar à sua própria evolução histórica. Assim, os povos não europeus e não ocidentais – neste caso os árabes –, estarão também destinados, mais tarde ou mais cedo, a ser como nós: a querer a democracia (pluralista e secular), a liberdade (política, de opinião, religiosa, etc.), os direitos humanos (tal como estão inscritos na Declaração Universal das Nações Unidas de 1948). Esta visão teleológica da história, misturada com o wishful thinking de que o rumo dos acontecimentos será no sentido da “boa” evolução da humanidade (pelo menos assim julgam os europeus), levou a imaginar mais uma “primavera”, agora replicada na margem Sul do Mediterrâneo. A questão é saber se este não é um dos mais comuns e enganadores equívocos de leitura dos acontecimentos internacionais, que, em vez de clarificar, não contribuirá, sobretudo, para obscurecer a compreensão de uma realidade que nos é essencialmente estranha. (Fim da Parte I - publicada originalmente a 1/11/2011).
setembro 11, 2012
setembro 08, 2012
Capitalismo ‘made in China‘: estudantes universitários obrigados a trabalhar na FoxConn para produção do novo iPhone 5
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Students from Huai'an in Jiangsu Province were driven to a factory in the city run by Taiwan's Foxconn Technology Company after the plant couldn't find sufficient workers for the production of Apple's much-anticipated iPhone 5, they said in online posts.
A student majoring in computing at the Huaiyin Institute of Technology said 200 students from her school had been driven to the factory.
They started work on the production line last Thursday and were being paid 1,550 yuan (US$243.97) a month for working six days a week, she said.
But they had to pay hundreds of yuan for food and accommodation, she said in an online post under the name of mengniuIQ84.
Several other students from at least five colleges backed up what she said, saying they were being forced to work for 12 hours a day.
Badly disrupted
A Jiangsu Institute of Finance and Economy student called Youyoyu said students from departments of law, English and management were all working at the plant.
A Huai'an University student posting under the name of Dalingzhuimengnan said Foxconn was badly in need of 10,000 workers but students were looking forward to returning to classrooms to continue their academic studies which had been seriously disrupted.
MengniuIQ84 wrote that the authorities had ordered the schools to send students to assist Foxconn but said that the factory neither informed parents nor signed agreements with students.
One or two schools had canceled their internship programs with Foxcon after media exposure and pressure from the public, she said, but her institute had no plans to do so and had even punished students who had tried to leave the factory. [...]
Ver notícia no ShanghaiDaily.com
setembro 02, 2012
Leituras para a rentrée: A crise de 2007/2008 e as razões da persistência do neo-liberalismo
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agosto 01, 2012
Quando o Ocidente abre mão dos seus valores: ‘O consenso de Pequim. Legitimando o autoritarismo na nossa época‘
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julho 23, 2012
julho 18, 2012
A ‘Política Externa da Turquia face ao Ocidente revisitada‘ in Mural Internacional, ano III, nº 1 (junho 2012)
A subida ao poder do AKP (Adalet ve Kalkinma Partisi/Partido da Justiça e do Desenvolvimento) em 2002
– partido que governa a Turquia há uma década –, trouxe, progressivamente, uma
visível aproximação Médio Oriente árabe-islâmico. Paralelamente, assistiu-se a
uma deterioração das relações com Israel e a tensões ocasionais com alguns dos
aliados tradicionais, nomeadamente com os EUA. Assim, nos últimos anos, temos
assistido a um amplo debate nos meios ligados à política internacional, sobre o
significado desta aproximação da Turquia ao Médio Oriente. Será esta sinal de
um abandono da orientação de política externa pró-ocidental, que caracterizou o
Estado fundado por Atatürk a partir de 1945, através de uma nova configuração
motivada por influências ideológicas islamistas? Ou será que estamos perante uma
abordagem de política externa pragmática e realista, motivada por imperativos
económicos e de segurança, sendo basicamente similar àquela que encontramos
frequentemente no passado otomano da Turquia? São estas as questões às quais se procura responder no artigo. Para o efeito, é efetuada uma breve
passagem em revista da política externa do Império Otomano/Turquia face ao
Ocidente, europeu e norte-americano, o que permitirá, depois, avaliar a
mesma numa perspetiva histórico-política alargada. (Ver aqui o artigo completo.)
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julho 16, 2012
julho 14, 2012
julho 09, 2012
junho 24, 2012
junho 18, 2012
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