fevereiro 01, 2008

Al-Andalus: ‘O mito do paraíso andalusiano‘ em questão


Chateaubriand e Washington Irving têm uma brilhante sucessora pós-moderna na professora de Literatura Espanhola e Portuguesa na Universidade de Yale, María Rosa Menocal. No seu livro Ornament of the World. How Muslims, Jews and Christians Created a Culture of Tolerance (Ornamento do Mundo. Como Muçulmanos, Judeus e Cristãos Criaram uma Cultura de Tolerância, 2002), dá-nos uma magistral "lição de História" sobre a convivencia, lado a lado, das três culturas (muçulmanos, cristãos e judeus) no Al-Andalus e as realizações culturais dos árabes-berberes da Península. Já tinha essa impressão do livro de Juan Vernet, Lo que Europa debe al Islam de España (1999), mas agora, com María Rosa Menocal, fiquei mesmo convencido. Na escola andavam-nos a enganar sobre o nosso passado! Nem o Renascimento teve origem nas cidades do Norte de Itália, nem a revolução científica teve as suas bases no Ocidente do século XVII, nem o Iluminismo foi inventado pelos arrogantes filósofos franceses no século XVIII, nem o diálogo inter-religioso das três religiões abraâmicas foi criado pelo Concílio Vaticano II, nem sequer o multiculturalismo e as políticas de identidade pós-modernas, derivadas do pensamento de Foucault, Derrida e outros, afinal têm nada de original. Já tudo isto existia, de alguma maneira, no Al-Andalus. Quando aos nativos da península, os cristãos hispano-visigóticos e outros indígenas, eram sem dúvida uns rústicos agressivos e pobres de espírito, que só podiam ter ficado gratos à mission civilisatrice e ao "Iluminismo" dos conquistadores árabes-berberes. Aqueles que sustentaram que "todas as culturas são boas", como os antropólogos culturais Frank Boas, Margareth Mead e Claude Lévy-Strauss andaram a fazer ao longo de décadas, estão errados. A investigação "estórica" de María Rosa Menocal mostra convincentemente como há culturas superiores (a árabe-muçulmana) e outras inferiores (a cristã-latina).

Estranhamente, há ainda alguns escritores e professores de Literatura que não aceitam esta narrativa científica e escrevem coisas absurdas como esta: "A existência de um reino muçulmano na Espanha medieval onde diferentes raças e religiões viviam harmoniosamente em tolerância multicultural, é um dos mitos hoje mais espalhados. Os professores ensinam-no nas universidades. Os jornalistas repetem-no. Os turistas que visitam o Alhambra aceitam-no [...] O problema com esta crença é que é historicamente infundada, um mito. As realizações culturais fascinantes da Espanha muçulmana não podem obscurecer o facto de que esta nunca foi um exemplo de convivencia pacífica." (p. 23). Assim começa irritantemente contra a corrente, o artigo de Darío Fernandéz-Morera, professor de Espanhol e Português e de Literatura Comparada da Northwest University dos EUA, publicado em finais de 2006 na Intercollegiate Review o artigo The Myth of the Andalusian Paradise (O Mito do Paraíso Andalusiano). Adivinha-se que o artigo não fará parte da bibliografia utilizada por escritores, poetas e comentadores políticos românticos e outros não tão românticos, que andam a transformar subtilmente estórias (contos, narrativas) em História. A sua leitura é também (des)aconselhada para os crentes no mito da convivencia e para todos que pretendem (re)construir o passado à luz da ideologia multicultural do presente. O seu efeito pode ser mais traumático do que dizer a uma criança que o Pai Natal nunca existiu.
JPTF 2008/02/01

janeiro 30, 2008

A desconstrução do imaginário romântico do Al-Andalus: as estórias de mouros e princesas cristãs de Chateaubriand


Na transição do século XVIII para o século XIX, várias almas sensíveis atormentadas com os avanços do cosmopolitismo das Luzes, da Razão, dos Direitos Humanos universais, e, sobretudo, alarmadas com a Revolução Industrial e o crescente igualitarismo liberal, refugiaram-se num passado, real ou imaginado (a maior parte das vezes imaginado). Uma destas almas sensíveis, que empreendeu uma “fuga para trás” – e, por isso, é justamente considerada como fundadora do romantismo francês –, foi a de François-René, mais tarde visconde de Chateaubriand (1768-1848).

Em inícios do século XIX, após uma viagem a Espanha, Chateaubriand descobriu o paraíso perdido do Al-Andalus, sentindo uma enorme nostalgia da "brilhante civilização árabe", ao fazer o grand tour na exótica Andaluzia. Por essa época, outros românticos descobriam também paraísos perdidos no exótico Próximo Oriente, dominado pelos turcos otomanos, quando faziam o grand tour mais em moda pelo Mediterrâneo oriental. Rapidamente a imaginação romântica de Chateaubriand engendrou um drama que sabe um pouco a um déjà vu Shakesperiano. Em Les aventures du dernier Abencérage, o cenário não foi a cidade italiana de Verona no Renascimento, e os amores impossíveis entre as famílias rivais dos Montéquios e dos Capuletos. O cenário foi a Granada do ex-Al-Andalus (a Península Ibérica muçulmana), após a reconquista cristã dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, e a queda do último sultão muçulmano da dinastia Nasrida, Abu Abd Allah (mais conhecido por Boabdil), em 1492. No imaginário romântico de Chateaubriand, este deve ter sido um episódio doloroso que lhe partiu a alma quando deambulou por Granada. Pela pena do escritor-poeta surgiu então uma princesa cristã (Blanca) apaixonada por um nobre árabe, designado no conto por mouro, Aben-Hamet. Este era o último representante da família dos Abencerrages - nome que vem de "Beni Seraj", uma tribo árabe que terá habitado Córdoba e depois Granada, desde os tempos da conquista do século VII, e rivalizava com a tribo dos Zegris. Os Abencerrages teriam sido dizimada por Boabdil, numa lendária versão mourisca que lembra a vendetta entre Montéquios e Capuletos. (Os confrontos étnico-religioso entre muçulmanos não são propriamente uma novidade da Palestina, do Iraque ou do Afeganistão de hoje.) Como é habitual, para dar intensidade dramática a este tipo de narrativas românticas de amores impossíveis, na família de Blanca corria nas veias o sangue cristão e católico de El Cid e na família de Aben-Hamet o sangue árabe e muçulmano, supõe-se sunita, dos nobres Abencerrages.

A estória, situada algures durante o século XVI, durante o reinado do Imperador Carlos V de Espanha, da casa real dos Habsburgos, inicia-se com Aben-Hamet em Tunis, perto de Cartago, para dar mais grandiosidade histórica ao romance. Este, apesar da sua juventude, já tinha a alma despedaçada por estórias das glórias da família em Granada e sobre a beleza do local. Assim, meteu-se ao mar resolvendo ver como era a terra dos seus antepassados na outra margem do Mediterrâneo. Mal chega a Granada cruzou-se na rua com Blanca, e é amor à primeira vista entre os dois. Amor impossível, obviamente, dado ela ser cristã e ele muçulmano, ela ser descendente do Cid e ele dos Abencerrages (na altura ainda não existia a Aliança de Civilizações de Zapatero-Erdoğan, pelo que estes dramas eram bem reais). O enredo decorre com os habituais episódios de passeios pelos amantes em palácios encantados (o inevitável Alhambra), excursões por jardins, fontes e recantos com ciprestes e buganvílias, visitas a cemitérios com inscrições em alfabetos exóticos e meio apagadas nas tumbas. No final, o leitor mais sujeito a comoções é poupado a um remake da tragédia de Romeu e Julieta: aqui os amantes apenas se separam, num doloroso e comovido adeus, seguindo cada um o seu caminho nas duas margens do Mediterrâneo.

A Literatura, incluindo a romântica, faz inquestionavelmente parte de um rico património cultural da humanidade e integra, de pleno direito, uma verdadeira cultura humanística. Sem esta, o ser humano seria bem mais pobre de imaginação e de pensamento criativo. O único problema é quando uma imaginação literária e romântica - emotiva e comovente, ou patética e lamechas, consoante os gostos estéticos e literários -, se começa a transformar, subtilmente, numa fonte de “factos históricos” e a influenciar a opinião pública como tal. É essa a sensação que fica quando lemos comentários políticos que apelam ao conhecimento histórico, como o de Miguel Sousa Tavares sobre “A Morte do Islão”, e percebemos o imaginário romântico que lhe está subjacente que transforma, sob a forma de uma escrita elegante, estórias (contos, narrativas) em História.
JPTF 2008/01/30

janeiro 29, 2008

O Al-Andalus (não tão) romântico de Osama Bin Laden


Osama Bin Laden também se interessa bastante pelo Al-Andalus, mas não é dado a devaneios românticos, nem parece ter muita paciência para estórias sobre jardins de "buganvílias de todas as cores que hão-de cobrir os muros" do palácio de Córdoba. Nesta compilação e tradução para língua inglesa das suas "mensagens ao mundo", feita por Bruce Lawrence, este vai directo ao assunto e diz, sem rodeios, que quer de volta todas todas as terras islâmicas roubadas, da Palestina ao Al-Andalus (p. 14): "[Pedimos] a Deus Todo-Poderoso para responder à nossa luta pela verdade e que nos forneça os seus seguidores. Nós pedimos-lhe para mostrar os mentirosos e as suas mentiras, e para ajudar-nos a evitá-los, e a estabelecer uma ordem de conduta para a nossa umma na qual aqueles que Lhe obedecem serão louvados e aqueles que lhe desobedecem serão humilhados e no qual o bem é abraçado e o mal rejeitado, e na qual a justiça é feita e a verdade falada, e na qual a bandeira da jihad é erguida bem alto para restaurar à nossa umma o orgulho e a honra, e na qual a bandeira da unidade de Deus é levantada novamente em cada terra islâmica roubada, da Palestina ao Al-Andalus [...]". Para os espíritos mais românticos, esta é uma leitura aconselhável como forma de regressarem à rapidamente realidade e não confundirem estórias (contos, narrativas), com História. E a falta de domínio da língua inglesa também não é desculpa pois existe uma tradução portuguesa publicada pela Temas & Debates.
JPTF 2008/01/29

janeiro 27, 2008

O Al-Andalus romântico de Miguel Sousa Tavares



Miguel Sousa Tavares (MST) intitula a sua crónica semanal de 26/01/2008 para o "Expresso" de "A Morte do Islão". O título é em si mesmo paradoxal, pois é notório que o Islão do século XXI, seja ele religioso ou político, está em plena expansão demográfica e, sobretudo, em grande efervescência política, ou seja, por outras palavras, está sociologicamente bem vivo (se nos agrada ou não o caminho que tem vindo a seguir isso é outra coisa). A propósito dos atentados que os islamistas-jihadistas paquistaneses se preparavam para efectuar em Barcelona, MST refere que o actual Islão está refém de “uma casta teocrática de barbudos que odeiam a vida e tudo o que representa o progresso que os seus antepassados celebraram no Al-Andalus.” Face ao desaparecimento dessa “brilhante civilização árabe da Península”, interroga-se este, “para onde foram os geógrafos, os cartógrafos, os físicos, os matemáticos, os arquitectos que fizeram o apogeu do Al-Andalus?” Quer dizer, na crónica de MST, a “morte do Islão” actual – e a mensagem que este pretende transmitir aos leitores –, adquire sentido sobretudo por contraponto com o (fascinante) Islão do Al-Andalus que este descreve. Aqui reside a parte mais problemática da crónica de MST. O texto está imbuído duma visão literária e romântica, a qual, de facto, tem uma longa tradição de celebração no espírito de escritores e poetas desde o século XIX, com Les aventures du dernier Abencérage de François-René (visconde de Chateaubriand), Les Orientales. Les Feuilles d'Automne de Victor Hugo e de Tales of the Alhambra de Washingtong Irving, entre vários outros. Em Portugal, este romantismo literário e estético novecentista, influenciou, por exemplo, os arquitectos do palácio da pena, em Sintra, e do salão árabe do palácio da bolsa, no Porto. Por isso, integra também o imaginário do grande público que está tendencialmente receptivo a aceitar a descrição “histórica” da crónica. Todavia, como estamos a falar de questões históricas e políticas e não a discutir movimentos estéticos e qualidades literárias (que MST inquestionavelmente tem), impõe-se chamar à atenção de que este imaginário só muito parcialmente é suportado pela factualidade histórica.

O Al-Andalus foi uma plataforma transmissora de conhecimentos para a Cristandade Ocidental, nomeadamente ao nível da herança cultural helénica. O símbolo máximo desse processo foi Averróis (Ibn Rushd), no século XII. Mas aqui existe uma primeira nuance a ter em conta. Averróis é menosprezado pelos actuais islamistas (e não só), que o consideram uma “sombra da filosofia grega” (a expressão é do principal ideólogo dos Irmãos Muçulmanos Sayyid Qutb). Quer dizer, este não é visto como um genuíno representante da tradição islâmica. Para além disso, importa notar que o vasto património cultural e científico helénico (tal como o da Pérsia e o da Índia), foi apreendido e transmitido pela civilização islâmica, mas não tanto integrado na sua identidade. Esse é um aspecto crucial. Por outro lado, nesse papel de transmissão, foram particularmente importantes as populações cristãs árabes do Médio Oriente. A tradução começou a ser feita no século VIII, na língua síria, num Império Árabe, onde a maioria da população nessa época era ainda cristã, um facto frequentemente negligenciado. Ou seja, o património cultural helénico que circulou pelo Império Árabe medieval até à Península Ibérica (Al-Andalus), teve, em boa parte, por base trabalho de tradutores árabes cristãos, pelo seu domínio das línguas. Outro exemplo, o que chamamos “numeração árabe” e que a Cristandade Ocidental absorveu por contacto com o Islão, é originalmente um criação hindu, com contributo persa. Mais uma vez o continuum árabe islâmico, que existia desde o Norte da Índia até à Península Ibérica, funcionou como plataforma transmissora de conhecimentos, com origem sobretudo nas civilizações orientais (Índia e China). Daí que, sem grande surpresa, quando os portugueses e espanhóis, com as grandes viagens marítimas feitas a partir do século XV, chegam directamente ao contacto com a África sub-sariana, as Américas, Índia e a China, o papel do Islão – que foi historicamente mais o de um assimilador e transmissor de conhecimentos do que o de um produtor original de conhecimento –, se tornou progressivamente irrelevante. A relevância só regressou no século XX, agora com a emergência da economia baseada no petróleo.

A influência do romantismo literário à la dixneuvième siècle, o qual foi, em grande parte, um movimento de reacção à modernidade tecnológica da revolução industrial, ao cosmopolitismo Iluminista e aos ideário universalista dos Direitos do Homem, está também bem patente na descrição que este faz de Córdoba: “Transformada pelos cristãos em mesquita catedral, a fantástica beleza despojada da construção original, com as suas 988 colunas de mármore suportando cúpulas de azulejos trabalhados em motivos geométricos, foi para sempre pervertida por essa ostentação oca das catedrais [...]” A seguir, MST interroga-se: “pela enésima vez penso nesse insondável mistério da história: porque é que uma derrota militar, e mesmo a retirada para o lado de lá do estreito, foi capaz de significar a derrota de uma civilização tão brilhante quanto a civilização árabe da Península?” Este “insondável mistério da história” que o aflige, não é muito difícil de desvendar com recurso à história europeia e das civilizações do Mediterrâneo. Em termos globais, a civilização árabe estava em acentuado declínio muito antes da derrota de 1492. Se há um marco crucial da decadência árabe, este não é certamente 1492 (Granada) ou sequer 1236 (Córdoba), no Al-Andalus – apesar da sua óbvia importância –, mas 1258 na Mesopotâmia. E o golpe mais fatal não foi dado nem por cruzados, nem pela reconquista cristã de portugueses e espanhóis, mas pelos exércitos Mongóis liderados por Hulagu Khan, que conquistaram e saquearam Bagadade e destruíram o Califado Árabe dos Abássidas (Osama Bin Laden sabe isso). Aliás, foi nesse contexto histórico, por reacção à conquista mongol e à ameaça de extermínio do império árabe (e não propriamente devido às cruzadas ou à reconquista cristã da Península), que Ibn Taymiyya, o teólogo-jurista muçulmano medieval mais apreciado pelos islamistas-jihadistas, desenvolveu uma teorização da jihad que é fonte de inspiração para a actual ideologia islamista.

MST interroga-se também "Onde está a harmonia, o equilíbrio, a homenagem à vida que o Islão espalhou por toda a Andaluzia?" Por esta interrogação deduz-se que na sua estória do Al-Andalus a destruição e saque cidade de Santiago de Compostela (907) pelos exércitos de Almanzor (Abu Emir Muhamad), os massacres e pilhagens dos bens de cerca de 6.000 judeus de Granada (1066), o período dos Almorávidas "al-murabitin" (séculos XI e XII) e o dos Almóadas que lhe sucederam, "os que crêem em Alá" (séculos XII e XIII), marcados por um rigorismo religioso próximo do fanatismo e os raides que levavam à captura e comércio de escravos não terão existido... Quanto à transformação da mesquita em catedral e à extinção de uma civilização brilhante no Al-Andalus, este não foi mais do que um processo histórico normal no contexto da época em que decorreu. (Já agora, MST não o diz, mas a mesquita de Córdoba foi construída no lugar de uma antiga igreja visigoda da cidade, a basílica de São Vicente, demolida pelos conquistadores árabes-berberes). Recorda-se que um processo idêntico ocorreu praticamente no mesmo tempo histórico, no outro extremo do Mediterrâneo. Este levou a que a expansão imperial dos turcos otomanos aniquilasse a igualmente brilhante civilização cristã bizantina, que tinha as suas raízes na Antiguidade Clássica heleno-romana. E a que, em nome do Islão, a mais imponente basílica da Cristandade Ortodoxa – Santa Sofia de Constantinopla –, fosse transformada numa mesquita, no ano de 1453, por Mehmet Fathi (o conquistador). Mesmo sem terem escritores de vulto como Chateaubriand e Irving a alimentarem a imaginação do público, os Cristãos Ortodoxos lembram-se deste acontecimento que, na sua óptica, foi extraordinariamente trágico. Como se lembram do estatuto de dhimmis que tinham sob a Xária (Sharia) islâmica e do pagamento da jizya para poderem praticar a sua religião, em submissão ao Islão e ao seu "multiculturalismo" teócratico, até a uma fase avançada do século XIX. Felizmente para nós portugueses, os cristãos ibéricos não tiveram o mesmo destino histórico. Numa época onde se dominava ou se era dominado, lutaram para serem livres, com mais ou menos brutalidade, rudeza ou violência. Uma última nota: ao contrário do que MST sugere, o que os islamistas-jihadistas da Al-Qaeda pretendem não são desculpas pela perda do Al-Andalus e a queda de Granada em 1492, mas sim o próprio território do Al-Andalus. Basta ler as mensagens de Osama Bin Laden ao mundo.
JPTF 2008/01/27

janeiro 26, 2008

Livros que não se encontram nas livrarias de Teerão



Como é sabido por toda a comunidade académico-científica, desde que o Presidente iraniano, Mamoud Ahmadinejad defendeu a sua tese na Universidade de Columbia, em 24 de Setembro de 2007, "não há homossexuais no Irão". Assim, os estudos queer não existem nas universidades iranianas, não por qualquer preconceito da sociedade e do regime dos ayatollahs contra os homossexuais e, muito menos, por sentimentos de homofobia contra o "outro", mas pelo motivo bem objectivo e científico de falta de objecto de estudo. Só por esta razão, e, que fique bem claro, não por motivos de censura ou de homofobia como acontece nas sociedades europeias e ocidentais, não existe nas livrarias de Teerão o livro do professor David M. Halperin, Saint=Foucault, Towards a Gay Hagiography (aliás, essa é também a razão que leva a que o GLQ: A Journal of Gay and Lesbian Studies, co-editado por Halperin, não esteja disponível na biblioteca da Universidade de Teerão). Para aqueles que contestam a tese de Ahmadinejad, brilhantemente defendida em Columbia contra um júri e um público conservador, convém lembrar que vários estudos empíricos comprovam que o último (e único) homossexual alguma vez visto no Irão foi um ocidental, o filósofo francês, Michel Foucault, nos idos tempos da revolução iraniana de 1978/79, um dos maiores gurus pós-modernos da emancipação e empoderamento dos oprimidos. Na sua faceta de jornalista de investigação, Foucault mostrou fascínio pelo Ayatollah Khomeini e pela sua forma inovadora de "espiritualidade política" introduzida na sociedade iraniana, bem documentada nas crónicas jornalísticas para os leitores do Corriere della Sera, Le Monde e Le Nouvel Observateur. O entusiasmo de Foucault pela governação empoderadora dos oprimidos do Ayatollah Khomeini, e pela sua forma pré-moderna de "disciplinar e punir", que incluía técnicas de enforcamento de homossexuais, é de facto contagiante como mostra o livro de Kevin Anderson e Janet Afary. Por tudo isto, é fácil perceber a enorme injustiça das críticas a Ahmadinejad.
JPTF 2008/01/26

Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irão vai fechar a revista "Zanan" (mulheres) por criticar o regime



Já sabíamos que não há homossexuais no Irão, desde que Ahmadinejad foi à Universidade de Columbia, em Nova Iorque, em finais de 2007. Agora ficamos também a saber, pelo jornal espanhol "El Pais", que as críticas femininas ao governo dos ayatollahs não agradaram ao Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, que resolveu encerrar a revista Zanan (mulheres). Isto porque a revista insistia em escrever sobre coisas que, obviamente, nunca existiram no Irão: maus tratos domésticos, comércio sexual, crimes de honra, tratamento discriminatório das mulheres, etc. Não se trata, pois, de censura, mas de repor a verdade e de assegurar que no Irão todos falam a uma só voz. Para além disso, devemos congratular-nos pelo zelo do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, que evita o triste espectáculo dado pelas democracias ocidentais, onde cada um diz e escreve o que lhe apetece. Note-se que os ayatollahs do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica são também empenhados defensores dos Direitos Humanos: a eles se deve a criação de um dos termos mais populares actualmente em uso no Ocidente pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos - a "islamofobia". Este foi originalmente criado durante a revolução iraniana de 1978-79, para denunciar as mulheres que recusavam o véu e estigmatizar as feministas ocidentais que as apoiavam, como a norte-americana Kate Millet, que acabou expulsa do Irão. Hoje, graças ao culto da diversidade celebrado pela ideologia oficial das sociedades ocidentais, o uso do véu, do hijab ou da burka é apenas um sinal de "vibrante diversidade" e de estilos de vida "alternativos". Mesmo sem termos um Ministério da Cultura e Orientação Islâmica entre nós, criticar o seu uso já não é muito conveniente, pois pode ser considerado uma manifestação de islamofobia. O conhecido guru da "emancipação" e do "empoderamento" dos oprimidos, Michel Foucault - um (in)confessado admirador do Ayatollah Khomeini -, tem também a sua quota de mérito neste processo emancipatório das mulheres. Khomeini está visivelmente satisfeito na sua tumba, pelo sucesso das suas ideias no Ocidente.
JPTF 2008/01/26

janeiro 25, 2008

Imagens da Turquia que espera o fim da proibição do uso do véu nas universidades, in Der Spiegel online

Egipto não quer aderir ao "espaço Schengen" com palestinianos da faixa de Gaza



A política de fronteiras abertas da UE, que considera a soberania territorial e a cidadania nacional um coisa old fashion, não tem muitos adeptos no Médio Oriente. Primeiro foi Israel que se recusou efectuar uma versão mediterrânica oriental da livre circulação de pessoas, abrindo as suas fronteiras aos palestinianos da faixa de Gaza. O insensível governo de Ariel Sharon empreendeu uma passadista política de controlo soberano territorial, usando a velha técnica da construção de barreiras para travar as demonstrações de boa vizinhança dos palestinianos jihadistas. Agora, o governo de Ehud Olmert cortou o abastecimento de energia eléctrica, como forma de pagamento da factura dos rockets enviados pelos seus colegas do governo do HAMAS. Nada de muito surpreendente na habitual política de boa vizinhança e cooperação israelo-palestiniana. No meio de tudo isto, o mais estranho é que o Egipto também aderiu às velhas teses europeias da soberania territorial, não aproveitando a oportunidade para criar um pós-moderno "espaço Schengen" com a faixa de Gaza. Acto imperdoável, pois do outro lado da fronteira estão os "irmãos muçulmanos" da Palestina. Os burocratas da UE precisam urgentemente de sair para o terreno para endoutrinar israelitas, palestinianos e egípcios nas virtudes das fronteiras abertas e da paz perpétua kantiana.
JPTF 2008/01/25

janeiro 24, 2008

A desconstrução da "objectividade" e do "rigor" da imprensa portuguesa: o caso do jornal "Público" de 24/1/2008



O jornal "Público" é um diário de referência da sociedade portuguesa. Tipicamente está associado a uma classe média, ou média alta, e a um leitor com um certo nível cultural, frequentemente com formação académica. No seu estatuto editorial apresenta-se como um "jornal diário de grande informação, orientado por critérios de rigor e criatividade editorial, sem qualquer dependência de ordem ideológica, política e económica". Curiosamente, ou talvez não, a tradicional expressão "informação objectiva" (já) não consta do estatuto editorial, mas, apenas, "rigor" e "criatividade". A verdade é que tipicamente o leitor médio, quando procura um jornal conceituado, procura também ser informado com isenção, objectividade e rigor e espera "cultivar-se". Face a estas expectativas usuais, um pequeno teste interessante é o de tentar saber se, por exemplo, a edição de hoje, 24/01/2008, do "Público", corresponde a este "imaginário" do leitor médio. Atente-se, por exemplo, em três assuntos de actualidade: i) o corte do abastecimento de energia eléctrica de Israel a Gaza e o derrube pelos palestinianos do muro de fronteira com o Egipto; a expulsão dos marroquinos que há algumas semanas atrás chegaram ilegalmente à costa do Algarve; iii) e os islamistas paquistaneses que preparavam um atentado suicida em Barcelona, tendo ontem sido confirmada pelo juiz de instrução espanhol a gravidade das acusações que levaram à sua detenção pelas forças policiais.

Como são representados estes assuntos no "Público"? O primeiro tem amplo destaque editorial e gráfico na capa com o título "Gaza. Palestinianos derrubaram fronteira com o Egipto" (fotografia em grande destaque, mais de metade da parte de baixo do jornal e chamada de atenção para a notícia na página 14, onde preenche a totalidade da página e parte significativa da página 15). O segundo, ocupa toda a metade de cima da página 6 e a notícia é, em grande parte, centrada no protesto de cerca de 30 activistas (entre outras associações não identificadas pelo autor da notícia, estariam membros da "Olho Vivo" e do Bloco de Esquerda), com uma fotografia em grande plano de um cartaz dizendo "ninguém é ilegal". Quanto ao terceiro, é objecto de uma notícia minúscula, de menos de duas dezenas de linhas, com o título "paquistaneses preparavam atentado em Barcelona", ocupando 1/4 do espaço dado à notícia do "cordão umbilical dos palestinianos com mundo" (que se encontra ao lado, na página 15). Pelo destaque do título, fotografia e dimensão do artigo, a hierarquia de importância dos assuntos implicitamente sugerida aos leitores é a seguinte: 1) palestinianos encurralados em Gaza; 2) emigrantes ilegais marroquinos repatriados; 3) paquistaneses que preparavam atentado em Barcelona. Quais as razões que levaram a esta hierarquia? A importância objectiva das notícias? (Veja-se como o jornal espanhol La Vanguardia retrata este "insignificante" acontecimento e a intenção dos islamistas causarem "dois dias de terror em cadeia".) O interesse dos leitores? O impacto dos assuntos em Portugal? A imitação da imprensa de "referência" internacional? Mas por que é que a eminência de um atentado terrorista em Espanha, uma realidade muito mais próxima e ligada a Portugal, foi relegada a um plano manifestamente secundário, face ao derrube de um muro na longínqua faixa de Gaza (o jornal britânico Times noticiava ontem que o movimento islamista radical Hamas já há meses preparava uma operação de derrube do muro... Afinal, a quem devo creditar o "rigor" informativo, ao Times ou ao "Público")? E por que razão uma manifestação, que até nem reuniu mais do que uns meros trinta activistas, tem também um destaque maior e imagem fotográfica? Mas, para além dos eventuais motivos de "criatividade editorial" subjacentes (o que faz lembrar um pouco o argumento da "liberdade poética"...), quais as razões de "rigor" na informação que a explicam? Será que estes assuntos são mesmo neutros ideologicamente? Será que nada têm a ver com causas, agendas (políticas) e visões do mundo simpáticas para quem os edita? Para ajudar a responder a estas e outras questões incómodas para os mitos jornalísticos, recomendo a leitura de um dos livros mais brilhantes feito sobre a propaganda, da autoria de Jacques Ellul, originalmente publicado em língua francesa nos anos 60, em pleno conflito ideológico da Guerra Fria. Termino com uma das reflexões que se podem encontrar neste, e que dá muito que pensar: um dos paradoxos da moderna e (sofisticada) propaganda é que são os indivíduos mais instruídos e cultos os mais susceptíveis de serem por esta afectados ....
JPTF 2008/01/24

janeiro 23, 2008

"Três dos detidos em Barcelona planeavam um atentado suicida" in El Pais, 23 de Janeiro de 2008


El auto del juez de la Audiencia Nacional Ismael Moreno hecho público hoy confirmó las informaciones del ministro de Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, respecto a que los presuntos islamistas detenidos en la madrugada del sábado en El Raval barcelonés pretendían cometer un atentado. El magistrado destaca que tres de los 14 arrestados planeaban suicidarse entre el 18 y el 20 de enero en transportes públicos de la Ciudad Condal, con lo que las detenciones podrían haber desbaratado 'in extremis' un atentado. Además, y después de que la Guardia Civil liberase a dos de los detenidos por la mañana, Moreno decretó prisión para diez de los restantes, con lo que los otros dos fueron también puestos en libertad.

Tras los arrestos practicados en el Raval de Barcelona, un barrio colindante con las transitadas Ramblas de la Ciudad Condal, Rubalcaba explicó que se trataba de 12 paquistaníes y dos hindúes que conformaban un grupo con un alto nivel de organización interna que había dado "un paso más allá" en su radicalización ideológica y pensaban abastecerse de explosivos para cometer un atentado. En los registros practicados por la Guardia Civil en cinco inmuebles se halló nitrocelulosa, que se utiliza para la fabricación de tintes, lacas y barnices, pero también como estabilizador en explosivos similares a los que se utilizan en las voladuras de edificios.

Hoy, el auto del juez de la Audiencia Nacional Ismael Moreno confirmó las sospechas e incluso les puso fecha. De no haber sido detenidos en la madrugada del sábado, es decir, cuando ya era día 19, podría haberse producido un atentado inminente. Y es que el magistrado señala que tres de los arrestados tenían pensado cometer un atentado suicida entre el 18 y el 20 de este mes en transportes públicos de la Ciudad Condal. Asimismo, Moreno decretó esta noche prisión para diez de los doce detenidos y, por tanto, dejó en libertad a Mohamed Imren y Sarosh Aki Mohamed, después de que la Guardia Civil ya hubiese optado por esta medida para otros dos anteriormente.

Los doce comenzaron a declarar por la mañana ante el titular del juzgado de Instrucción número 2 de la Audiencia Nacional, que se encontraba de guardia en el momento en el que se desarrolló el operativo, desarrollado conjuntamente por la Benemérita y el Centro Nacional de Inteligencia (CNI) que contaron con la colaboración de servicios de inteligencia de países europeos, según revelaron tanto el ministro del Interior como el presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, el día de las detenciones. Durante sus comparecencias, todos ellos respondieron a las preguntas efectuadas por el juez y el fiscal, que pidió prisión para diez de los detenidos, pero negaron las acusaciones que se les imputaba, según fuentes de la investigación [...].
http://www.elpais.com/articulo/espana/detenidos/Barcelona/planeaban/atentado/suicida/mismo/fin/semana/elpepuesp/20080123elpepunac_26/Tes
JPTF 2008/01/23

"Islamistas planeavam ataques suicidas nos transportes de Barcelona" in La Vanguadia, 23 de Janeiro de 2008

La célula desarticulada en Barcelona había escogido a tres de sus miembros, todos ellos ciudadanos paquistaníes, para que cometieran un atentado en transportes públicos de la capital catalana durante el mismo fin de semana en que se produjeron las detenciones, según se desprende del auto en el que el juez de la Audiencia Nacional Ismael Moreno, decretó esta noche prisión para diez de los doce detenidos el pasado sábado en Barcelona por su presunta vinculación con redes de terrorismo islamista.

Las dos personas liberadas se suman a las liberadas esta mañana decreta prisión para 10 de los arrestados por su presunta vinculación con redes de terrorismo islamista. Moreno precisa en su auto que los detenidos constituían un grupo organizado "con una clara y especializada división de funciones". Todos ellos estaban cohesionados ideológicamente por su adhesión a una postura extremista del Islam, añade el juez que precisa que la dirección dependía de aquellos que contaban con mayores conocimientos religiosos extraídos de la base del Movimiento Tabligh e Jamaa, versión rigurosa del Islam.

La estructura -agrega el magistrado- había derivado hacia una forma más radical que justifica el uso indiscrimado de la violencia como herramienta lícita para lograr sus metas político-religiosas. "Con este fin el grupo habría alcanzado capacidad operativa a nivel humano y se encontraría muy próximo a conseguir plena capacidad técnica a nivel de artefactos explosivos", indica.

El juez destaca que de las investigaciones llevadas a cabo ha "inferido" que los integrantes de la célula terrorista desarticulada "pretendían llevar a cabo diversas acciones terroristas suicidas el pasado fin de semana (18-20 de enero) en transportes públicos de la ciudad de Barcelona".

El grupo tendría como integrantes a Marrof Ahmed Mirza, Mohamed Tarik, Qadeer Malik, Hafeez Ahmed, Roshan Jamal Khan, Shaib Iqbal, Imram Cheema, Mohammad Ayud Elahi Bibi, Mohamed Shoaib y Mehmooh Khalib. Todos ellos mantenían frecuentes encuentros y llevaban acabo actividades comunes tanto en público como en privado y estaban dirigidos ideológica y operativamente por Mirza y Ayud Alahi Bibi "quienes gozaban de gran respeto". La célula disponía también de especialistas en explosivos, encabezados por Hafeez Ahmed.

El auto pone de manifiesto que las personas a las que se encargó la comisión de los atentados fueron los tres paquistaníes Mohamed Shoaib, Mehmooh Khalib y Imram Cheema, que llegaron a Barcelona "en fechas recientes". El primero de ellos en trasladarse hasta la Ciudad Condal fue Khalib que se trasladó a Barcelona el 8 de octubre de 2007, seguido por Shoaib que llegó el 12 de noviembre. Cheema, por su parte, se desplazó entre mediados de diciembre y principios de enero de 2008.

"Este patrón es común en organizaciones extremistas islámicas que para ejecutar una acción terrorista suelen desplazar a los suicidas poco tiempo antes de llevarla a cabo", dice el juez. La llegada de los tres se produce aproximadamente dos meses después de que el presunto fabricante de explosivos regrese de un viaje de cinco meses a Pakistán, agrega.

En los registros practicados se han incautado nitrocelulosa y elementos mecánicos y eléctricos, aptos para la construcción de uno o varios artefactos explosivos, según consta en el informe del Servicio de Desactivación de Explosivos y Defensa NRBQ. No obstante, el magistrado precisa que el material incautado "carecía de la suficiente potencia destructiva para la comisión de un atentado con garantías de causar estragos" y supone que este material podría haber sido empleado "para la enseñanza en la manipulación de artefactos caseros que limitaran el riesgo para la integridad física de sus manipuladores".

Testigo protegido
Del auto se desprende además, que la operación de la Guardia Civil que ha desembocado en la desarticulación de esta célula que pretendía atentar de forma inminente, ha contado con declaraciones efectuadas por un testigo protegido. Sus afirmaciones han sido contrastadas con las respuestas ofrecidas por los detenidos durante el interrogatorio en las dependencias judiciales.

A la vista de estos datos el juez considera que 8 de los 10 encarcelados son responsables de la comisión de un delito de pertenencia a organización terrorista y tenencia y fabricación de explosivos. Sobre los dos restantes, entre los que se encuentran los presuntos suicidas Mohamed Shoaib y Mehmooh Khalib, pesa únicamente la acusación de pertenencia, probablemente porque no tenían conocimientos sobre el montaje de los artefactos.

Dos de los arrestados -Mohamed Imren y Sarosh Aki Mohamed- han quedado en libertad sin la imposición de medidas cautelares. La Guardia Civil puso ya esta mañana en libertad a 2 de los 14 detenidos.

Los 12 comenzaron esta mañana a declarar ante el titular del juzgado de Instrucción número 2, Ismael Moreno, quien se encontraba de guardia en el momento en el que se produjo la operación, desarrollada por la Guardia Civil y el Centro Nacional de Inteligencia (CNI). Los detenidos llegaron a los calabozos de la Audiencia Nacional en Madrid a las 9.00 horas de hoy.
http://www.lavanguardia.es/lv24h/20080123/53429405852.html
JPTF 2008/01/23

Cartoon de Morland no jornal Times

janeiro 22, 2008

O International Herald Tribune revela um plano ‘brilhante‘ da UE para o reconhecimento da independência do Kosovo


"O Kosovo vai declarar a sua independência nos primeiros dois meses de 2008 e será reconhecido pelo Reino Unido, França, Itália e Alemanha dentro de 48 horas". Segundo o relata o mesmo jornal, fontes oficiais europeias descreveram "uma cuidadosamente orquestrada declaração de independência, provavelmente após as eleições sérvias, em inícios de Fevereiro, seguida de uma declaração da UE e do reconhecimento dos grandes Estados europeus. Mais países irão então reconhecer a independência do Kosovo numa sequência de anúncios" devidamente articulada. Esta começará com o reconhecimento pelos EUA e de outros países europeus não membros da UE, seguidos de um outro grupo composto pela Turquia, Macedónia, Albânia, Montenegro, Croácia e Eslovénia. Em seguida serão os 56 membros da Organização da Conferência Islâmica" (ver artigo integral do jornal International Herald Tribune). Como se pode ver, esta notável estratégia da Política Externa e de Segurança Comum (PESC) europeia, mostra uma qualidade de liderança e visão de futuro que vai certamente ser lembrada pelas gerações vindouras. Os motivos para rejubilar são muitos. Abre um precedente para as minorias com aspirações independentistas (bascos e catalães em Espanha, corsos em França, flamengos na Bélgica, sérvios da República Serbsca da Bósnia, húngaros da Transilvânia na Roménia, cipriotas turcos de Chipre, chechenos da Rússia, etc., todos estão reconhecidos por este precedente face ao Direito Internacional... ). Mas também trabalha altruísticamente para o "outro", ou seja, para o alargamento da Organização da Conferência Islâmica (OCI) em território europeu a mais um Estado muçulmano (isto para que a Albânia, com cerca de 70% da população muçulmana, e que já é membro da OCI, não se sinta isolada nesse "clube muçulmano"), abrindo o Kosovo à influência da Arábia Saudita, Egipto, Paquistão, Irão etc., todos ansiosos por projectarem a sua ideologia "liberal" e "secularista" sobre os muçulmanos dos Balcãs e subverterem o seu Islão tradicional, visto como demasiado soft e relaxado nas suas práticas, devido a quatro décadas de comunismo jugoslavo. Bem haja, Sr. PESC! Há ainda a questão do islamismo radical e do jihadismo que desta forma ganha terreno às portas da UE e do espaço Schengen, mas como este é (oficialmente) tão existente como os homossexuais no Irão de Ahamadinejad, podemos certamente todos dormir descansados.
JPTF 2008/01/22

janeiro 21, 2008

"A armadilha do Kosovo e o futuro da Europa" in Expresso, 19 de Janeiro de 2008


No meio da generalizada deriva europeia sobre a questão da independência do Kosovo, o artigo assinado pelo eurodeputado Mário David no "Expresso" desta semana, é uma invulgar voz de bom senso. O autor alerta para aquele que poderá ser "um gravíssimo precedente no âmbito do Direito Internacional" e para as consequências da actual política míope da União Europeia. Se a declaração de independência (unilateral) do Kosovo for reconhecida, interroga-se este, "que legitimidade haverá para obstaculizar que a República Serbsca não queira continuar na Bósnia Herzegovina? E a questão da Voivodina? Da Transnistria? ou da Transsilvânia? ou da Ossétia ou da Abcásia? Ou da Tchetchénia ou outras dezenas de repúblicas da zona que nunca ouvimos até agora falar? São nomes que não nos dizem quase nada? E quando o precedente for invocado pela Córsega, pela Flandres, pelo País Basco ou pela Catalunha? Aí já não vale?". Infelizmente tudo indica que esta União, que há vários anos está em dupla fuga para a frente - faz tratados e alargamentos alimentando uma ilusão de "Europa em movimento" -, vai optar pelo mais fácil: o reconhecimento da independência do Kosovo. Todavia, as consequências desta decisão aparecerão certamente mais à frente. As futuras gerações europeias arriscam-se a ter de pagar a factura deste perigoso e irresponsável precedente, que abre caminho a "uma Europa atomizada de dezenas de regiões em permanente querela para a afirmação obsessiva das suas mini-identidades"! Quo vadis Europa?
JPTF 2000/01/21

Onde leva a estratégia da UE para a independência do Kosovo? A Organização da Conferência Islâmica não se queixa...

"O caso contra a independência do Kosovo" in Japan Times online


por Raju G.C. Thomas

Kosovo's march toward independence is gathering pace, with the leaders of Kosovo's Albanians — Hashim Thaci and Agim Ceku — threatening to declare unilateral independence any day now. This is something that Serbia will undoubtedly reject, with the backing of Vladimir Putin's Russia.

Much of the world seems to think that Serbia's role in the Balkan wars of the 1990s puts it in the wrong, and that that should be the end of the matter. But Serbia's point of view is not without merit, and many other countries with territorially concentrated ethnic minorities have reason to be anxious about the precedent that might be set if Kosovo's declaration of independence is recognized.

Consider, first, that Kosovo is the historical heart and religious soul of Serbia. Hundreds of Serb Orthodox churches, monasteries and holy sites in Kosovo attest to this.

Moreover, Kosovo's demographic transformation over the last 100 years, when Albanians overtook the local Serb population, partly reflects an influx of Albanians from Albania — for decades a political and economic basket case, owing to Enver Hoxha's hermetic communism. At the same time, many Serbs have left Kosovo since before and after NATO's intervention in 1999, whether fleeing from Albanian violence against them or simply lured by better opportunities in Serbia proper.

Serbia's claim to Kosovo is, to Serbs, far stronger than Russia's claim to Chechnya, China's to Xinjiang, India's to Kashmir (a claim still disputed by Pakistan), and the Philippines' to the island of Mindanao. All of these are provinces with Muslim majority populations that are part of non-Muslim majority states.

But Russia, China and India are big states and will not tolerate any detachment of their territories. So there is no serious international effort to force them to do so. The Philippines has effectively lost control of Mindanao, just as Serbia has lost control of Kosovo, yet no one has recognized Mindanao's unilateral declaration of independence. So why should Kosovo's declaration be accepted?

Nor is it only Russia, China and India that oppose Kosovo's independence, but also Muslim-majority Nigeria, which retains Biafra, where a bloody civil war with Catholic Ibos was fought in the late 1960s. Muslim-majority Indonesia lost its Catholic-majority East Timor through Western political intervention, but its claims to East Timor were tenuous, as it only invaded the island a few decades ago.

Even in Europe — where Catalonia and the Basque region push for secession from Spain, some in Flanders want an end to Belgium, and Scotland's ruling Scottish National Party wants eventually to break away from Britain — support for Kosovo's independence is far from universal.

Worse, ordinary Serbs see an obvious international double standard. The territorial integrity and sovereignty of Croatia and Bosnia were enforced in the 1990s, despite declarations of independence by the Serbian "Republic of Krajina" in Croatia and the Serbian "Republika Srpska" in Bosnia. Why is Kosovo being treated differently?

Today, there are roughly 700,000 Serb refugees in Serbia from Croatia and Bosnia who are unable or unwilling to return to their homes, including virtually all of Croatia's Serbs, except those who converted to Catholicism to become Croats. Indeed, Serbia currently contains the largest refugee population in Europe. If Kosovo gains independence, these numbers will swell, as an exodus of all remaining Serbs is likely unless their territorial bastions — particularly in northern Kosovo, around Mitrovica — join with Serbia.

More broadly, to allow Kosovo's independence would demonstrate that violent secessionism works. In that case, the world ought to get used to seeing the Kosovo "strategy" applied elsewhere: First, faceless ethnic secessionists attack civilians and police. Not knowing where the enemy is hidden within the civilian population, security forces retaliate indiscriminately. Human rights violations elicit an international outcry and condemnation, followed by intervention and occupation by foreign military forces. And, in the denouement, the state loses control of its province as the secessionists declare independence.

Setting such a precedent in Kosovo must be avoided to ensure stability not only in the Balkans, but in all countries with dissatisfied ethnic minority populations. The territorial integrity and sovereignty of Serbia must be preserved in accordance with the United Nations Charter, the 1975 Helsinki Agreement Final Act guaranteeing the boundaries of Europe, and U.N. Resolution 1244 of 1999, which guaranteed Serbia's existing borders.

The former Yugoslavia has had enough destruction and mass killing. Preserving national integrity is a universal principle of peace from which Serbia should not be excluded.
http://search.japantimes.co.jp/print/eo20080103a1.html
JPTF 2008/01/23

Lições de geografia europeia: nunca pergunte de que país é a capital Budapeste ...

O Presidente da Turquia recebeu o Presidente da Síria: adivinhe qual é a mulher do Presidente da Turquia






"Queremos oferecer a lei Xária (Sharia) à Grã-Bretanha" in Telegraph, 21 de Janeiro de 2008


Ibrahim Mogra, chairman of the Muslim Council of Britain's inter-faith committee, admits that to non-Muslims some laws may seem harsh on women. Those who are married to a man with a number of wives can be treated badly, for instance. But he insists that sharia is an equitable system.

"It may mean that a woman married under Islamic law has no legal rights, but the husband is required to pay for everything in marriage and in the case of a divorce all the woman's belongings are hers to keep."

In fact, Sheikh Mogra argues that sharia in Britain would give rights to women. "A Muslim man can take a second wife under sharia law and treat her as he wants, knowing that she has no legal rights in Britain. It means that she is regarded as no more than a mistress and he can walk out on her when he wants."

Critics warn, however, that in giving even parts of sharia law official status, Britain would be associating itself with a system that in many ways was intolerable according to Western values.

Professor John Marks, author of The West, Islam and Islamism, points out that apostates from Islam can suffer severe punishment, even honour killings.

"There are more violent cases that are being related to people who choose to convert from Islam," he says.

A survey by Policy Exchange found that 36 per cent of young British Muslims believed that a Muslim who converted to another religion should be "punished by death".

"This clearly goes against the laws of our country. If they come to live in this country they should live by our laws," says Prof Marks.

Haras Rafiq, the executive director of the Sufi Muslim Council, points out that Muslims are anyway divided on the correct interpretation of sharia law. He is particularly critical of those who support the strict penal law.

"Things like stoning are being used as a deterrent, but this is reinterpreting the Koran in a rigid and extreme way that misses the spirit of what is being said."

Perhaps the strongest argument in favour of some form of recognition of sharia in Britain is that it would help to regulate a system that operates beyond the law.

The Government has expressed concern about imams who may be using the Koran to justify fatwas that clash with British law.

Leaders of four major British Muslim groups published a government-backed report in 2006 that accepted that many imams were not qualified to give guidance to alienated young people.

They agreed to set up a watchdog aimed at tackling extremism and monitoring mosques, but Yunes Teinaz, a former adviser to the London Central Mosque, warns that one of the greatest problems is the imams who arrive in Britain unable to speak English, and with no regard for British law.

"The absence of anyone regulating the mosques and sharia courts means that they can act as a law unto themselves, issuing fatwas that breach people's human rights because they have no knowledge of the law," he says. "They can take people's money despite having no proper qualifications, but worse they can harm the communities that they are in."

Zareen Roohi Ahmed, the chief executive of the British Muslim Forum - one of the four groups on the Mosques and Imams National Advisory Body - concedes that sharia courts in Britain are still poorly organised.

"They need development - the government should be supporting them to deliver their service more effectively," she says.

"If sharia courts can be supported to be more professionally run and to have female involvement as well on the decision-making panels, then I think they can work quite effectively and meet the needs of Muslims."

She suggests that existing systems need to be supported and a wider range of scholars and academics involved to put more thought into making the rules and regulations applicable to today's society.

Dr Muhammad Abdul Bari, the secretary general of the Muslim Council of Britain, points out that during British rule in India, Muslim personal law was allowed to operate and sees no reason why it wouldn't work now.

"Sharia encompasses all aspects of Muslim life including personal law," he says. "In tolerant, inclusive societies all faith groups enjoy some acceptance of their religious rules in matters of their personal life.

"I am sure some day our society here will also be more at ease with its Muslim community and see the benefit of allowing such rights to those who prefer this."

Back in the court in Leyton, the plight of Amnah is typical of the challenges facing Muslim women in Britain who are seeking to abide by the traditional Islamic teaching, but find themselves victims of the system as a result.

The husband she seeks to divorce is untraceable, but she married him in a purely Islamic ceremony so now she must fight to gain her freedom.

She met him on an Islamic matrimonial website, then discovered that he wasn't everything he had claimed to be.

"I found out he was stealing money from me," she says, adding that her husband had lied about having a job and a visa for the UK.

"So how come you married such a person who is not of your standard?" Dr Hasan asks quietly, leafing through the notes of her case.

"I made a mistake," Amnah says, simply. "Basically this man lied to me from the beginning until the end. Not only did he fool me, he fooled my family."

Despite Amnah's protestations and questioning, Dr Hasan goes on to explain that the methods and rules set out in the Koran are for very practical reasons.

A recently divorced wife must wait three months to remarry to give enough time for her ex-husband to know that she is not carrying his child. "This is for all," he says.

"There is no exception to this rule, in the sharia there is no exception, you have to accept it."

He takes down a copy of the Koran from a shelf and points to the chapter and verse that spells out the lengths of iddat - the waiting period - in detailed terms.

There are different lengths for widows, for wives whose husbands have authorised the divorce and for wives whose husbands have not. There is even a rule for pre-pubescent girls.

For Amnah, it is clear that the answer has thrown up further problems for her. "Another quick question," she says. "Because I'm going through a divorce now, is it right for me to have found someone or should I have waited?"

The man may not, Dr Hasan replies, clearly state his wish to marry her - he may subtly make his intentions known, as in "once you are free from marriage, remember me", but no, not propose. That is not allowed in the Koran.

Amnah thanks him with deference, and leaves. Coming through this religious court is the only way she will be truly at liberty to remarry but, for now, she must wait.
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml;jsessionid=JVX5N1CMK4TCJQFIQMFSFF4AVCBQ0IV0?xml=/news/2008/01/20/nsharia_120.xml&page=3
JPTF 2008/01/21

janeiro 20, 2008

Holanda: "Receio de violência com a exibição de filme sobre o Islão" in Guardian, 20 de Janeiro de 2008


The Dutch government is bracing itself for violent protests following the scheduled broadcast this week of a provocative anti-Muslim film by a radical right-wing politician who has threatened to broadcast images of the Koran being torn up and otherwise desecrated.

Cabinet ministers and officials, fearing a repetition of the crisis sparked by the publication of cartoons of Muhammad in a Danish newspaper two years ago, have held a series of crisis meetings and ordered counter-terrorist services to draw up security plans. Dutch nationals overseas have been asked to register with their embassies and local mayors in the Netherlands have been put on standby.

Geert Wilders, one of nine members of the extremist VVD (Freedom) party in the 150-seat Dutch lower house, has promised that his film will be broadcast - on television or on the internet - whatever the pressure may be. It will, he claims, reveal the Koran as 'source of inspiration for intolerance, murder and terror'.

Dutch diplomats are already trying to pre-empt international reaction. 'It is difficult to anticipate the content of the film, but freedom of expression doesn't mean the right to offend,' said Maxime Verhagen, the Foreign Minister, who was in Madrid to attend the Alliance of Civilisations, an international forum aimed at reducing tensions between the Islamic world and the West. In Amsterdam, Rotterdam and other towns with large Muslim populations, imams say they have needed to 'calm down' growing anger in their communities.

Government officials hope that no mainstream media organisation will agree to show the film, although one publicly funded channel, Nova, initially agreed before pulling out. 'A broadcast on a public channel could imply that the government supported the project,' said an Interior Ministry spokesman.

Demonstrations are also expected from those opposed to Wilders beyond Holland's Muslim community - a number of left-wing activists have already been arrested - and from his supporters. Members of a group calling itself Stop Islamisation of Europe are planning to travel to Amsterdam. 'Geert Wilders is an elected politician who has made a film, and that he is under armed guard as a result is absolutely outrageous,' said Stephen Gash, a UK-based member, yesterday. 'It is all about free speech.'

In November 2004, anger and violence followed the stabbing and shooting by a Dutch teenager of Moroccan parentage of the controversial film-maker Theo Van Gogh, a distant relative of the artist.

The attacker said the killing was in response to a film about Islam and domestic violence that Van Gogh had made with the Somalian-born activist Ayaan Hirsi Ali, then an MP, which showed images of naked veiled women with lines from the Koran projected over them.

From her self-imposed exile in Washington, Hirsi Ali last week criticised the new film as 'provocation' and called on the major Dutch political parties to restart a debate on immigration that has split Dutch society in recent years, rather than leave the field to extremists.

Wilders announced his plans last November, saying he was making a film to show the violent and fascist elements of the Muslim faith. The maverick politician's remarks about Islam have become increasingly radical. In February last year he said that if Muslims wanted to stay in the Netherlands, they should tear out half of the Koran and throw it away. In parliament he then called for the Koran and Hitler's Mein Kampf to be banned, a proposal that was rejected.

Job Cohen, the left-wing mayor of Amsterdam, echoed Hirsi Ali's words and called for a debate 'so that the moderates can make themselves heard'.

During a visit to the European Parliament in Strasbourg last week, Ahmad Badr al-Din Hassoun, the Grand Mufti of Syria, said that, were Wilders was seen to tear up or burn a Koran in his film, 'this will simply mean he is inciting wars and bloodshed ... It is the responsibility of the Dutch people to stop him.'
http://observer.guardian.co.uk/world/story/0,,2243805,00.html
JPTF 2008/01/20