Mostrar mensagens com a etiqueta Multiculturalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Multiculturalismo. Mostrar todas as mensagens

fevereiro 07, 2007

“Controvérsia sobre livros escolares sauditas” in BBC, 7 de Fevereiro de 2007


“Uma escola fundada pela Arábia Saudita em Londres ocidental, foi acusada de usar manuais escolares contendo comentários ofensivos sobre o Cristianismo e o Judaísmo. As alegações sobre os livros árabes começaram quando um antigo professor acusou a Academia do Rei Fahad, em Acton, de racismo institucional. A escola negou as acusações como ‘grosseiramente ofensivas, altamente inflamatórias e inteiramente falsas‘. As traduções das secções dos livros foram ‘tomadas fora do contexto‘, disse a directora desta. Cerca de 600 crianças entre os 5 e os 18 anos, frequentam a Academia do Rei Fahad, uma escola privada que recebe por ano mais 4 milhões de Libras da família real saudita.

‘Religiões indignas‘
A controvérsia centra-se no uso de manuais escolares produzidos pelo Ministério Saudita da Educação. As alegações surgiram quando um professor britânico muçulmano iniciou um processo por despedimento injust0 [...] Um manual datado de 2005/2006 alegadamente pergunta ao aluno para ‘dar exemplos de religiões indignas... tais como o Judaísmo, o Cristianismo, a adoração de ídolos e outras‘. O livro alegadamente pede ao aluno para ‘explicar que aqueles que morrem sem aderir ao Islão vão para o inferno‘. Noutro manual para a idade de 12 e 13 anos, datado de 2004/2005, o autor alegadamente fala de um versículo corânico, que se refere a transformar pessoas em porcos e macacos dizendo que é sobre judeus e cristãos. O autor cita um teólogo-jurista dos primeiros tempos do Islão como tendo dito: ‘Os macacos são os judeus. E os porcos são os infiéis cristãos à mesa de Jesus. A directora da Academia do Rei Fahad, Dr.ª Sumaya Aluyusuf, admitiu que os manuais – traduzidos para o programa Notícias da Noite da BBC2, por dois especialistas independentes – estavam na escola. Todavia, diz esta, já não faziam mais parte do curriculum. [...]” .
Nota: O texto integral da notícia, incluindo extractos áudio dos manuais escolares em questão, está no site da BBC em http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk/6337299.stm
JPTF 2007/02/07


janeiro 29, 2007

“Mais jovens muçulmanos apoiam a Xária (Sharia) diz estudo de opinião”, in jornal “Guardian”, 29 de Janeiro de 2007


A growing minority of young Muslims are inspired by political Islam and feel they have less in common with non-Muslims than their parents do, a survey reveals today. The poll, carried out for the conservative-leaning Policy Exchange thinktank, found support for Sharia law, Islamic schools and wearing the veil in public is significantly stronger among young Muslims than their parents. In the survey of 1,003 Muslims by the polling company Populus through internet and telephone questionnaires, nearly 60% said they would prefer to live under British law, while 37% of 16 to 24-year-olds said they would prefer sharia law, against 17% of those over 55. Eighty-six per cent said their religion was the most important thing in their lives.
Nearly a third of 16 to 24-year-olds believed that those converting to another religion should be executed, while less than a fifth of those over 55 believed the same. The survey claimed that British authorities and some Muslim groups have exaggerated the problem of Islamophobia and fuelled a sense of victimhood among some Muslims: 84% said they believed they had been well treated in British society, though only 28% thought the authorities had gone over the top in trying not to offend Muslims. Munira Mirza, a doctoral student at Kent University who wrote the report, said: “The government should engage with Muslims as citizens, not through their religious identity.”
http://politics.guardian.co.uk/thinktanks/story/0,,2000984,00.html
Nota: Ver o estudo integral da Policy Exchange que baseou esta notícia do jornal britânico Guardian, intitulado Living Apart Together: British Muslims and the paradox of multiculturalism, elaborado por Munira Mirza, Abi Senthilkumaran e Zein Ja´far, que está disponível em http://www.policyexchange.org.uk
JPTF 29/01/2007

janeiro 18, 2007

Livro “Culture and Equality: An Egalitarian Critique of Multiculturalism”, de Brian Barry, Imprensa da Universidade de Harvard, 2001



Excelente crítica ao multiculturalismo – a nova ideologia ocidental da diferença –, feita de um ponto de vista liberal e igualitário, por Brian Barry, professor de Filosofia e Ciência Política da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Um livro de referência no debate contemporâneo da Filosofia e Ciência Política, com óbvia relevância para a acção política. Particularmente interessantes e bem elaboradas são as críticas de Brian Barry às teses daqueles que podem ser considerados os ideológos do multiculturalismo, seja na versão «multicultural-liberal» do canadiano Will Kymlicka, seja na versão «marxista-cultural» da norte-americana Iris Marion Young. Como defensor da ideia da nação cívica e de uma cidadania unitária e igualitária, Brian Barry rejeita o multiculturalismo (e a tentação comunitarista), em qualquer das suas versões. Este relembra que a construção da cidadania igualitária foi o modelo das sociedades europeias para acomodar a diferença religiosa subsequente à extrema diversidade da Europa dos séculos XVI e XVII e às guerras de religião que a devastaram. O modelo de cidadania igualitária que daí resultou abstrai da diversidade religiosa e cultural, tendo sido determinante na pacificação social europeia subsequente à Reforma Protestante. Nas últimas décadas, as políticas de identidade (ou políticas da diferença), reclamadas pelos ideólogos do multiculturalismo (e postas em prática no Canadá, nos EUA, no Reino Unido, na Austrália, na Holanda, etc.), actuaram como factor duplicador da diferença, destruindo progressivamente a ideia de nação cívica e de uma cidadania igualitária.
JPTF 2007/01/11

janeiro 12, 2007

Livro “Islamismo e Multiculturalismo. As Ideologias Após o Fim da História”, Coimbra, Almedina, 2006


Resumo
O final da competição ideológica da Guerra Fria foi percebido como o «fim da história», no sentido de fim da evolução ideológica da humanidade, com a universalização do capitalismo e do modelo ocidental de democracia liberal parlamentar. Esta percepção, derivada duma visão eurocêntrica e associada à ideia novecentista de que a economia política é o campo natural da luta ideológica, levou a uma visão redutora do mundo e ao subestimar do potencial de atracção de outras ideologias, cujo cerne é «cultural», ou com raízes fora da cultura do Ocidente. É esse o caso do multiculturalismo, a mais recente e influente ideologia ocidental da diferença, bem como o do islamismo, uma poderosa ideologia de ambição universalista, cujas raízes intelectuais se encontram no Islão. Assim, neste livro, propõe-se uma análise sistemática e crítica destas duas ideologias, que têm merecido um escasso interesse no âmbito das publicações da Ciência Política e Relações Internacionais, apesar da sua relevância na política interna e internacional. Especificamente, a abordagem incide sobre as raízes filosóficas, os principais pensadores, as características distintivas e as versões em que estas ideologias se materializam. É ainda analisado o potencial de expansão do islamismo e as suas relações com o multiculturalismo, incluindo as suas estratégias de difusão nas sociedades europeias e ocidentais, bem como estudado o impacto que estes dois ideários têm na actual percepção histórica do passado.

Índice de Conteúdos
1. O islamismo como ideologia não ocidental de ambição universalista
2. A conexão cultural na Europa: a diáspora muçulmana e as populações autóctones dos Balcãs
3. A nova ideologia ocidental da diferença: o multiculturalismo
4. As alternativas estratégicas do islamismo nas sociedades ocidentais
5. A (re)leitura do passado à luz da ideologia do presente: o caso do Andalus

Almedina ISBN 972-40-2959-X

Recensão publicada na revista R:I nº 17 (2008)


JPTF 12/01/2007