Mostrar mensagens com a etiqueta Kosovo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kosovo. Mostrar todas as mensagens

outubro 12, 2008

Prémio Nobel da Paz atribuído a Martti Ahtisaari duramente criticado pela Rússia in BE92, 11 de Outubro de 2008


Ahtisaari, Finland's former president, was announced earlier on Friday as the 2008 Nobel Peace Prize laureate in recognition of his three decades of worldwide mediation efforts, including in the Balkan province.

A senior Russian lawmaker said Ahtisaari's other achievements outweighed his "failure" in Kosovo, but that failure "meant Serbia's breakup."

"If not his UN mission on Kosovo, which Ahtisaari, let's face it, failed to fulfill, the award would not have given rise to unpleasant feelings among those who consider Kosovo's independence illegitimate," said Mikhail Margelov, head of the upper house's international affairs committee.

He praised Ahtisaari as a highly qualified international official. "He deserves the award no less or no more than the peace prize laureates of previous years," Margelov said.

As UN Special Envoy for Kosovo, Ahtisaari laid out a plan in 2007 proposing "supervised independence" for the Albanian-dominated province. It was backed by the Kosovo government, the U.S. and Europe, but strongly opposed by Serbia and Russia as infringing on the former's territorial integrity.

Kosovo unilaterally declared independence from Serbia in February and has since been recognized by the United States and the majority of European countries. Russia, Serbia's long-time ally and a veto-wielding UN Security Council member, has refused to follow suit.

A Russian ultranationalist lawmaker also criticized the choice for the Nobel Peace Prize.

"He [Ahtisaari] destroyed Serbia. He is like [Mikhail] Gorbachev, who destroyed the Soviet Union and received the peace prize," Vladimir Zhirinovsky said. "Now this Finn receives the prize for helping create a state within Serbia."

"They must be kidding us," Zhirinovsky said.

General Leonid Ivashov, head of the Academy of Geopolitical Problems think tank, said the prize was awarded to Ahtisaari for his role in the annexation of Kosovo from Serbia.

"The politician worked on the U.S. and NATO's side and did everything to destroy Yugoslavia and annex Kosovo," Ivashov said. "The peace prize is obviously an award for his zealous efforts in that shameful process."

Echoing the statement, a leading Russian political scientist said the Norwegian Nobel Committee's decision was political and "discredited" the prestigious reward.

"The prize was obviously awarded to Ahtisaari not only for his considerable contribution to peace efforts, but as an acknowledgement of his Kosovo plan, which ... in fact legitimized ethnic cleansing against Serbs," Sergei Markov said.

Markov said the committee's decision in a sense adds to Russia's case of recognizing the Georgian breakaway regions of South Ossetia and Abkhazia.

http://www.b92.net/eng/news/world-article.php?yyyy=2008&mm=10&dd=11&nav_id=54144
JPTF 2008/10/11

outubro 07, 2008

‘Reconhecimento do Kosovo: uma política errada e perigosa‘ por Pacheco Pereira in Público, 4 de Outubro de 2008


Tudo indica que o Governo português vai abandonar uma das suas raríssimas manifestações de individualidade em relação à União Europeia em matéria de política externa e reconhecer o Kosovo como país independente. Os grandes partidos europeus, o PSE e o PPE, alinham nesta decisão e, em Portugal, o PS e o PSD vão certamente apoiá-la. É, no entanto, uma decisão errada, uma a mais numa sequência desastrosa de decisões erradas na política externa europeia que conduzem a becos sem saída e ao agravar das condições de instabilidade na Europa Central e do Leste.

Portugal tinha sido um dos poucos países europeus a resistir à corrida pelo reconhecimento, liderada pelos EUA e com resposta pronta dos países que dominam a UE (França, Alemanha, Reino Unido). ( Eu elogiei as reservas portuguesas quanto ao reconhecimento do Kosovo. Seria interessante saber o que mudou.) Não são claras as razões por que o fez, embora tenha de se reconhecer que quer o Presidente da República, quer o ministro dos Negócios Estrangeiros, dizendo pouco, diziam certo, porque chamavam a atenção para os riscos deste reconhecimento como precedente e legitimação para outros movimentos de secessão. Presumia-se que falassem do Cáucaso, mas sabia-se que pensavam também em Espanha, outro dos países que não reconheceram o Kosovo, por óbvias razões de precedente para os separatismos basco e mesmo catalão. Esperava-se que Espanha contasse para a diplomacia portuguesa, mas que não fosse apenas a Espanha a contar. A guerra georgiana e o reconhecimento unilateral da Abkházia e da Ossétia pela Rússia mostram os enormes riscos desta política, que pode ainda alastrar-se à Moldova e mesmo à Ucrânia.

Acresce que a independência do Kosovo, separando um território internacionalmente reconhecido como fazendo parte de outro país, a Sérvia, é ilegal à luz do direito internacional e nunca será legitimada pelas Nações Unidas. Se fossem outros os interlocutores, haveria por cá um clamor por mais esta "violação do direito internacional", mas com os dois maiores partidos a concordarem, vai ser mais um assinar de cruz numa decisão "europeia" que nos escapa.

O Kosovo, um protectorado da União Europeia e dos EUA, é mais um "país" independente, sem viabilidade económica, sem autonomia política em relação aos seus patronos, na prática anexada a uma paupérrima Albânia, no centro de um dos mais profícuos centros de tráfico de tudo, mulheres, drogas, armas, mercenários para todos os terrorismos, sede de todas as máfias que actuam com esses produtos. Não é segredo para ninguém, toda a gente sabe. Sabe também que existe uma minoria sérvia que não reconhece a independência e que não participa no processo político do Kosovo e que pede a anexação com a Sérvia, ao mesmo tempo que actua como outras minorias ainda estabelecidas nos Balcãs como a Republica Serpska onde também o Governo da Bósnia não tem poder. Em todas estas situações permanece o potencial de conflito para o futuro, o que obriga a uma permanente estadia de tropas internacionais e a uma capitis diminutio em matérias fundamentais para a soberania, como a justiça, a polícia, a defesa e a política externa.
Esta situação é mais um passo numa política errada que nos Balcãs acentuou sempre a crise endémica após o fim do comunismo jugoslavo, misturando irrealismo, ignorância das condições históricas do conflito, com uma efectiva incapacidade para ter aquilo que conta no terreno nestes conflitos: ter força militar e vontade para a usar. E neste caso, por ironia, um seguidismo em relação à política americana para a região, onde os EUA têm dos últimos aliados, incluindo um membro da Liga Islâmica, a Albânia.

O reconhecimento do Kosovo é um passo a mais nesse processo, mas já é ele próprio uma consequência de uma série de opções políticas que deixaram a UE sem alternativa. Essas opções vêm desde 1991, num crescendo de passos que se atrapalham uns aos outros, num silly walk trágico e com muito pequeno futuro, e para os quais se encontra precedente apenas na política alemã da II Guerra, o que não é de bom agouro. Começa porque os principais países europeus e os EUA têm uma enorme responsabilidade no descalabro dos Balcãs, desde o desmembramento da Jugoslávia até aos dias de hoje. Foi a Alemanha que, decidindo unilateralmente reconhecer os "países" que se separaram da Jugoslávia, retomando, aliás, ligações tradicionais que vinham da II Guerra Mundial, oficializou o fim da Jugoslávia e abriu caminho à guerra civil. Verdade seja que provavelmente o desmembramento da Jugoslávia seria inevitável, mas a decisão precipitou a guerra civil ao favorecer a corrida às fronteiras e as limpezas étnicas que um pouco por todo o lado se verificaram e os massacres que as acompanhavam. Embora pouco lembrada, a maior dessas limpezas étnicas atingiu os sérvios da Krajina e não os croatas, nem os bósnios, nem os kosovares. Como é com os sérvios, ninguém quer saber.

A sucessão de "guerras" entre eslovenos e sérvios, croatas e sérvios, bósnios e sérvios e croatas, e albaneses e sérvios, deixou o maior rasto de destruição na Europa desde a II Guerra Mundial, cuja memória renasceu em muitos dos beligerantes que tinham velhas contas a ajustar. A tentativa de intervenção europeia no solo e americana no ar, sob a égide da ONU, para manter a paz e proteger as populações, tinha regras de envolvimento tão restritivas que tornavam as tropas em pouco mais do que observadores das violências cometidas à sua frente. O receio americano de colocar soldados no chão, limitando-se ao apoio aéreo, e a pouca preparação e falta de motivação das tropas terrestres, aliado a comandos indecisos, actuando mais como diplomatas e políticos do que militares, que queriam acima de tudo evitar baixas nas suas tropas, levaram a uma exibição de fraqueza que militares e milícias endurecidas e cruéis como era o caso dos sérvios entendiam e bem como fraqueza. O massacre de Srebrenica foi cometido à frente de cerca de 400 soldados holandeses sob comando francês. Mais tarde, o Governo holandês veio a admitir responsabilidade parcial pelo falhanço da "protecção" dada aos bósnios e por procedimentos impróprios no plano militar. A verdade é que muitos soldados europeus demoraram a perceber que nos Balcãs as guerras são a sério e meras exibições de força não chegam.

Os acontecimentos que levaram à secessão do Kosovo com a violenta intervenção policial e militar dos sérvios, seguida do êxodo da população albanesa, exacerbada pela existência de uma guerrilha pró-albanesa apoiada pela CIA, cujos dirigentes são hoje os políticos no poder no Kosovo, levaram a uma intervenção militar que incluiu o bombardeamento da Sérvia e à queda de Milosevic, mas deixaram o Kosovo numa terra de ninguém no plano político. Legalmente, o Kosovo é território sérvio, hoje é para os países que o reconheceram um píis independente, na prática é um protectorado da UE e dos EUA, com uma zona maioritariamente albanesa e uma minoria sérvia à volta de Mitrovica dotada de um considerável autogoverno. Isto significa que se a UE não quer ver milícias sérvias a passarem a fronteira para apoiarem os seus "irmãos" cercados pelos albaneses ou uma anexação de facto dos territórios do Norte do Kosovo pela Sérvia, ou, noutra versão possível, os sérvios do Kosovo a terem que fugir das suas terras para a Sérvia noutra limpeza étnica, os militares têm que continuar a lá estar eternamente.

É por isso que a decisão do reconhecimento unilateral do Kosovo é também má para os conflitos internos, porque nos Balcãs estas feridas podem conhecer momentos de aparente cicatrização, mas têm uma longa história de abrir de novo. Por muito que isto possa chocar, se se quer mexer nas fronteiras da ex-Jugoslávia, então faça-se "limpeza étnica" a sério, deixando os novos países com um grau de homogeneidade étnica e religiosa bastante para a questão para eles passar a ser de política externa e não interna.

Não se choquem muito com esta sugestão, porque foi o que a Sociedade das Nações fez com as populações gregas na Anatólia e turcas na Trácia, nos anos vinte e, já que se está numa de "engenharia nacional", mais valia redesenhar tudo, com muito dinheiro e muita negociação, em vez de reconhecer países na base das fronteiras administrativas da antiga Jugoslávia, mantendo todos os problemas por resolver e acicatando os ódios.

http://abrupto.blogspot.com/2008/10/reconhecimento-do-kosovo-uma-poltica.html
JPTF 2008/10/07

maio 19, 2008

Missão da UE no Kosovo adiada sine die


A União Europeia acaba de reconhecer que há uma grande probabilidade de não poder deslocar a a sua nova missão para o Kosovo - a EULEX - composta por juristas e forças policiais, na data prevista, a 15 de Junho. O chefe desta missão europeia, o general francês Yves de Kermabon, reconheceu que a EULEX está adiada sine die, pelo menos enquanto a Missão das Nações Unidas no Kosovo (MINUK) continuar em funções nesse território. Ver notícia no Courrier des Balkans.
JPTF 2008/05/20

março 19, 2008

Agitação continua no Kosovo, com sinais de crescente partição de facto entre albanese e sérvios


Os confrontos ocorridos no Norte do Kosovo (Mitrovica) na passada segunda-feira, entre a população sérvia e as forças das Nações Unidas, provocaram um morto e vários feridos. Entretanto, as tropas da KFOR lideradas pela NATO assumiram o comando na região, mas não parece haver fim à vista para a escalada de agitação e violência. A paz foi restaurada em Mitrovica mas é enganadora quanto à situação no terreno. Há receios que a conflitualidade e a violência - desencadeadas à seguir à declaração unilateral de independência do Kosovo, a 17 de Fevereiro -, possam continuar no longo prazo. É o que mostram os acontecimentos desta segunda-feira. Durante várias horas, a cidade de Mitrovica, dividida entre albaneses e sérvios, pareceu estar em estado de guerra, com a explosão de granadas, o lançamento de gases lacrimógeneos, o rebentamento de cocktails Molotov e o disparo de tiros. Ver relato sobre a situação no terreno e a estratégia sérvia para lidar com a independência do Kosovo na Der Spiegel.
JPTF 2008/03/19

março 17, 2008

"A NATO responderá com ‘firmeza‘ à violência no Kosovo" in El Pais


A NATO afirma que responderá com firmeza aos actos de violência que abalaram hoje as suas tropas e as das Nações Unidas (ONU) em Mitrovica, depois de manifestantes sérvios contra a independência de Kosovo terem obrigado a polícia da ONU a retirar-se da zona, povoada maioritariamente por sérvios. Os sérvio kosovares, que ontem à noite ocuparam de novo o principal tribunal da ONU em Mitrovica, enfrentaram esta manhã, de forma contundente, e apoiados por centenas de manifestantes, os soldados da Missão da ONU no Kosovo (MINUK) e da força de paz da NATO (KFOR). Ver notícia do El Pais.
JPTF 2008/03/17

fevereiro 22, 2008

A desinteligência da política euro-atlântica face ao Kosovo (2): sérvios da bósnia reivindicam direito à independência


De acordo com uma notícia de hoje do jornal Le Monde, os sérvios da Bósnia querem tirar partido do precedente do Kosovo - o que não é propriamente uma surpresa -, declarando a sua independência no momento oportuno. No texto da resolução aprovada ontem pelo Parlamento da Republika Srpska, por maioria esmagadora dos seus deputados, afirma-se que "se um número significativo de membros da ONU, nomeadamente de Estados-membros da União Europeia reconhecem a independência do Kosovo" isto constitui um "precedente no reconhecimento do direito à autodeterminação, e, por isso, à secessão". No mesmo texto afirma-se ainda que a Republika Srpska "se reserva o direito de organizar um referendo, para decidir do seu estatuto como Estado." Esta resolução ameaça abrir caminho ao fim da frágil estabilização conseguida pelos Acordos de Dayton, em 1995, que pôs fim a três anos de um conflito sangrento. Desde essa altura, a Bósnia-Herzegovina foi dividida em duas entidades estaduais federadas: a Republika Srpska (ou República Sérvia) e a Federação Croata-Muçulmana, ligadas por frágeis instituições federais de Estado unificado. A Bósnia ameaça envolver-se de novo no turbilhão de conflitualidade, agora desencadeado pela independência unilateral do Kosovo.
JPTF 2008/02/22

A desinteligência da política euro-atlântica face ao Kosovo (1): violência e destruição em Belgrado

"Rússia ameaça utilizar a força se a UE e a NATO ‘desafiarem‘ as Nações Unidas" in ABC, 22 de Fevereiro de 2008


El representante de Rusia ante la OTAN, Dmitri Rogozin, consideró el viernes que Rusia podría "utilizar la fuerza" si la OTAN o la Unión Europea "desafían" a la ONU sobre Kosovo.

Por otra parte, ha dicho que "lamenta" las violencias que se produjeron en Belgrado el jueves, pero atribuyó la responsabilidad a los países que reconocieron "unilateralmente" la independencia de Kosovo, declaró el viernes el portavoz de la cancillería rusa, Mijail Kaminin, citado por la agencia Interfax.

Manifestantes incendiaron el jueves en la noche la embajada de Estados Unidos en Belgrado, donde un cuerpo carbonizado fue hallado. También se enfrentaron a las fuerzas del orden tras la gran manifestación contra la independencia de Kosovo.
http://www.abc.es/20080222/internacional-europa/rusia-amenaza-utilizar-fuerza_200802221040.html
JPTF 2008/02/22

fevereiro 21, 2008

A UE, o Kosovo e Chipre: uma estranha política externa



Para a presidência portuguesa da UE foi certamente um grande alívio que os albaneses do Kosovo tivessem aceitado transferir a sua declaração unilateral de independência para o início de 2008. A Eslovénia, um pequeno estado também saído das guerras da ex-Jugoslávia, sem poder e meios para lidar com este complexo problema diplomático, acabou por receber uma prenda envenenada na sua estreia à frente dos destinos da UE. A seguir a esta, não será difícil à França, que lhe sucederá no segundo semestre de 2008, fazer melhor figura na condução dos assuntos europeus recuperando alguma liderança europeia, como ambiciona Nicolas Sarkozy. Quanto à data de 17 de Fevereiro, tudo indica que vai ficar como uma referência importante para os actuais “conflitos congelados” em território europeu e fora dele. Desde logo pela declaração unilateral de independência do líder dos albaneses do Kosovo, Hashim Tahçi; mas também pela primeira volta das eleições presidenciais em Chipre, que levaram ao afastamento das possibilidades de reeleição do actual presidente, Tassos Papadopoulos, um crítico do Plano Annan para a reunificação da ilha.

Interessante é ligar estes dois acontecimentos em curso e a política da UE face aos mesmos. No caso do Kosovo, a linha diplomática dominante é de que as ambições de separatismo dos albaneses da região devem ser premiadas com o reconhecimento da independência. Esta é apresentada como sendo a consequência lógica da intervenção militar da NATO, em 1999, contra a Sérvia agressora de Slobodan Milosevic, bem como do Plano Ahtisaari das Nações Unidas sobre o futuro do Kosovo. No caso de Chipre, a política é, por sua vez, a de apoiar a reunificação da ilha também nos termos de um plano das Nações Unidas (o plano Annan), e não reconhecer a também proclamada unilateralmente (e até agora só reconhecida pela Turquia), República Turca de Chipre do Norte («KKTC»), em 1983. Coincidência, ou talvez não, na génese das ambições separatistas dos cipriotas turcos está também uma “operação humanitária” efectuada em 1974, para salvar os cipriotas turcos da “agressão cipriota grega e grega”. Quanto aos seus mais de 30.000 soldados no Norte da ilha são apenas uma “força de paz” como a da UE nos Balcãs (esta é a versão oficial da Turquia sobre a invasão da ilha). Sendo estas as linhas de política externa, a UE parece ter-se regozijado não só com a declaração unilateral de independência do Kosovo de Hashim Tahçi, com o afastamento de Tassos Papadopoulos em Chipre. Nos media, apesar de algumas reservas pontuais, prevaleceu também similar visão e entusiasmo quanto ao devir destas duas questões internacionais. O único problema é que tudo indica que estamos perante exercícios de wishful thinking e que o futuro destes destas questões internacionais poderá ser até bem mais complicado do que já era. Desde logo, as contradições da política externa europeia estão no cerne da questão.

A UE que, de algum modo tem por ambição federar os povos europeus, apoia não uma federação entre sérvios e kosovares com uma ampla autonomia para estes, mas a secessão destes últimos, promovendo uma Europa que, em vez de se unificar, cada vez mais se fragmenta (o Kosovo é o sexto estado a emergir da ex-Jugoslávia). A segunda contradição, também notória, reside no facto de apoiar a unificação de cipriotas gregos e turcos, ao mesmo tempo que a apoia a separação de sérvios e kosovares. A consequência natural desta política é dar argumentos e legitimar a pretensão (ilegal face ao Direito Internacional) dos cipriotas turcos sobre o reconhecimento da «KKTC», predispondo-os para a não reunificação. Na imprensa turca discute-se abertamente esta possibilidade, em contraste com wishful thinking que prevalece na imprensa portuguesa e europeia, de que o afastamento de Tassos Papadopoulos, simplisticamente esteriotipado como culpado do statu quo, vai abrir caminho à solução para o problema. Para além destas contradições, há várias consequências estratégicas a outros níveis, todas elas bem negativas. Sob uma mal disfarçada aparência de unidade – a originalidade de uma posição comum, onde não há posição comum a não ser cada estado tomar a posição que bem entende, e proclamar que “o Kosovo é um caso único e não serve de precedente” é uma coisa sui generis... –, vê-se de novo o triste espectáculo de uma (des)União Europeia do género da ocorrida em 2003, aquando da guerra do Iraque. Agora é a UE a dividir-se entre os que pretendem reconhecer o Kosovo (a nuance aqui reside no facto de os países grandes estarem de acordo) e os que não o farão, como a Espanha, a Roménia, a Bulgária, a Grécia, Eslováquia e Chipre.

Para além da fractura na UE, a independência do Kosovo está a provocar outra paralisia nas Nações Unidas (que também lembra a guerra do Iraque), não chegando, ao que tudo indica, o Conselho de Segurança a qualquer entendimento, dada a oposição frontal da Rússia e da China à independência unilateral do Kosovo (a pouca credibilidade que as Nações Unidas ainda têm cai assim ainda mais baixo). Mas se isto, só por si, já é mau, a questão tem ainda contornos piores, pois abre uma nova linha de conflito com a Rússia, dando-lhe boas razões para uma nova “guerra-fria”, e motivando-a, cada vez mais, para uma coligação com a China e outros estados descontentes com a actual ordem mundial. Quanto à Sérvia, esta atitude europeia só pode reforçar as forças políticas nacionalistas e mais radicais e fragilizar a coligação governativa de Vojislav Kostunica, enraizando o ressentimento dos sérvios face à UE. Tudo isto é negativo em termos de ambiente internacional e os europeus são a parte mais vulnerável do mundo ocidental, embora actuem como se não fossem.

Para a administração Bush, a independência do Kosovo é apenas corolário da política da administração Clinton para os Balcãs, iniciada nos anos 90. Os Balcãs estão a milhares de quilómetros, não são o México, nem a Nicarágua, nem o país tem territórios com pretensões independentistas, como acontece com vários estados europeus. Outras prioridades estratégicas se seguirão que não a Europa e, muito menos, os Balcãs (os grandes desafios que enfrentam ao seu poder estão cada vez mais no Médio Oriente e Ásia). Por razões geopolíticas óbvias, os europeus não podem pensar assim. Um estado falhado à suas portas será um desastre em termos de segurança, criando um oásis para a criminalidade comum e o jihadismo. Só que ao envolvimento da UE no Kosovo junta-se a necessidade de se envolver (leia-se integrar), a Croácia, a Macedónia, o Montenegro, a Sérvia (se esta ainda tiver vontade de aderir…), a Albânia, e a Turquia, para além das expectativas legítimas, e reforçadas pelas atitudes da UE, de adesão da Ucrânia e da Geórgia. A grande questão é como lidar com todas estas frentes estratégicas abertas ao mesmo tempo, pois a declaração de independência do Kosovo pode, com mais propriedade, ser qualificada como uma “declaração de dependência” da UE e dos EUA, a que se poderá seguir uma dependência do mundo árabe islâmico, se estas falharem nas expectativas criadas de segurança e bem-estar. Face à crescente aversão da opinião pública europeia aos alargamentos, às debilidades de funcionamento intrínsecas da UE, à crise económica e financeira e ao tenso ambiente internacional subsequente ao 11 de Setembro, é pouco provável que haja vontade, capacidade e meios de levar estas tarefas a bom termo. O que se seguirá é difícil de prever mas não dá margens para muito optimismo pela desinteligência estratégica das políticas seguidas.
JPTF 2001/02/2008

Exercícios de semântica cínica na UE: a "posição comum" do Conselho sobre o Kosovo


Que a União Europeia é um organização sui generis não é novidade para ninguém. Talvez mais surpresa seja a originalidade que parece estar a marcar as "posições comuns" e a peculiar forma europeia de respeitar a legalidade internacional, através de interpretações criativas. Nas conclusões sobre o Kosovo da reunião nº 2851 do Conselho da União Europeia efectuada em Bruxelas a 18/02/2008, podemos ler que "O Conselho saúda a continua presença da comunidade internacional baseada na Resolução nº 1244 do Conselho de Segurança". O que o texto se "esqueceu" de dizer é que na Resolução nº 1244 (1999) deste órgão das Nações Unidas se afirma, claramente, logo nas considerações iniciais, "o comprometimento de todos os Estados-membros com a soberania territorial e integridade da República Federal da Jugoslávia", o que não foi propriamente o caso. Quanto à posição comum sobre o Kosovo, uma leitura minimamente atenta do texto mostra também que esta basicamente consiste em que cada "Estado-membro vai decidir, de acordo com a sua prática nacional, e de acordo com a lei internacional, as suas relações com o Kosovo". Ou seja, numa linguagem mais "terra-a-terra" que qualquer pessoa compreende, a posição comum é cada cada um faz o que bem entende em relação ao Kosovo. Percebe-se por que a UE, com este tipo de "posições comuns" é o grande actor da política internacional que todos nós conhecemos. Vindo de uma organização preocupada com o respeito do Direito Internacional e a moralidade na política internacional, o texto não deixa de saber também a um belo exercício de cinismo político.
JPTF 2008/02/21

fevereiro 19, 2008

A "declaração de dependência" do Kosovo e a bizarra política euro-atlântica nos Balcãs



Um novo estado - o Kosovo - emergiu no dia 17 de Fevereiro, pelo menos para aqueles países que o reconheceram, como é o caso da maioria dos membros da UE, dos EUA, e, sobretudo, da generalidade dos países da Organização da Conferência Islâmica (OCI) - a excepção, claro, são sobretudo os que se confrontam com reivindicações separatistas sobre o seu próprio território, como, por exemplo, a Indonésia. Mas se a situação do Kosovo era problemática antes de 17 de Fevereiro, tudo indica que o vai continuar ser, pela oposição da Rússia (separatismo da Chechénia e aliança tradicional com a Sérvia), da China (separatismo de Taiwan, do Tibete, etc.), da Índia (separatismo de Caxemira), de vários membros da UE e de um número importante de outros países no resto do mundo. Pelo que foi possível ver até agora, a independência do Kosovo está a criar uma (desnecessária) fonte adicional de tensões, num ambiente internacional já bastante tenso e complexo. O seu exemplo arrisca-se a alimentar reivindicações independentistas, na Europa e fora dela, que podem por em causa a já frágil ordem e estabilidade internacional. Mas o mais paradoxal em tudo isto é a bizarra política euro-atlântica de promover a criação de um novo estado onde a população é, em termos religiosos ou sociológicos, maioritariamente muçulmana, que fica a ser o segundo estado muçulmano na Europa, a seguir à Albânia (ver o artigo de Llewellyn King "Kosovo: Now a Muslim Country in Europe"). As palavras do Secretário-Geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI) mostram também, sem grande surpresa, a maneira diferente como é vista, numa perspectiva islâmica, a independência do Kosovo: "um activo para o mundo muçulmano" e um motivo de regozijo para a umma islâmica. Não sei se os europeus e norte-americanos pensaram nisto a médio ou longo prazo - infelizmente, parece que perderam esse hábito -, mas uma coisa parece óbvia: ou assumem a difícil tarefa de construção de um estado e de um protectorado ab eterno do Kosovo (com o necessário envolvimento político, militar e de ajuda económica e social - neste sentido a declaração de independência foi mais uma "declaração de dependência" da UE e dos EUA), ou então, mais tarde ou mais cedo, este será uma porta aberta para a projecção da influência árabe e islâmica no sudeste europeu. Pior do que isso, se o Kosovo engrossar o número de estados falhados - o facto de o primeiro país a reconhecer a sua independência (o Afeganistão), ser um estado falhado tem já a sua ironia ... -, poderá tornar-se numa porta de entrada por onde o islamismo radical e do jihadismo vão tentar entrar na UE. Será que este foi um risco calculado?
JPTF 2008/02/19

Secretário-Geral da OCI apoia a independência do Kosovo que será "um activo para o mundo muçulmano"


With regard to the declaration of independence by Kosovo yesterday, Secretary General of the Organization of the Islamic Conference Prof. Ekmeleddin Ihsanoglu made the following remark today (18 February 2008) in Dakar at the opening of the OIC Senior Officials Meeting preparatory to the forthcoming OIC Summit to be held there on 13-14 March 2008:

"…a very important event took place yesterday. Kosovo has finally declared its independence after a long and determined struggle by its people. As we rejoice this happy result, we declare our solidarity with and support to our brothers and sisters there. The Islamic Umma wishes them success in their new battle awaiting them which is the building of a strong and prosperous a state capable of satisfying of its people. There is no doubt that the independence of Kosovo will be an asset to the Muslim world and further enhance the joint Islamic action."
http://www.oic-oci.org/oicnew/topic_detail.asp?t_id=840
JPTF 2008/02/2008

fevereiro 18, 2008

"O mundo após a proclamação da independência do Kosovo em 2020", segundo o jornal Krasnaia Zvezda


O diário Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), órgão oficial do Ministério da Defesa da Rússia, considera que a proclamação da independência do Kosovo poderá ser um exemplo para 200 lugares na Terra.

Num artigo dedicado à questão do Kosovo “Manta de retalhos da Europa”, o jornalista Vladimir Kuzar desenha o que poderá acontecer em Berlim em 2020 se se repetir a situação no Kosovo.

“Grupos armados extremistas muçulmanos que aterrorizam os alemães de Berlim... trazem para as ruas da capital alemã correlegionários seus para exigir mais liberdade e a possibilidade de viver segundo as próprias leis” – descreve o jornal.

Como a polícia já não consegue travar a onda de violência, pede ajuda às forças armadas alemãs. Confrontos com os manifestantes levam ao derrame de sangue, que provoca indignação entre a comunidade mundial e principalmente nos países muçulmanos. Estes pedem a convocação do Conselho de Segurança da ONU, mas as suas decisões não são cumpridas.

“Então – continua o jornal – decide-se enviar para Berlim tropas internacionais de paz para a manutenção da paz, formadas pela Liga dos Estados Árabes. Sob a sua protecção, os islamitas expulsam da cidade a população alemã, criam os seus órgãos do poder, declaram o seu apego à democracia e aos seus valores e, por fim, declaram a independência de Berlim, que é reconhecida por uma série de Estados”.

Segundo o jornalista, esse cenário poderá ser considerado “louco” e estúpido” pelos leitores, mas “apenas terão parcialmente razão, porque foi precisamente segundo esse cenário não fantástico, mas real, que se desenvolveu a situação no Kosovo”.

O Krasnaia Zvezda considera que isso irá destruir a organização mundial existente e poderá transformar a Europa numa “manta de retalhos”.

“Não se trata apenas dos Estados não reconhecidos no espaço post-soviético... mas quase todos os países da Europa podem dividir-se, desintegrar-se em várias partes” – escreve o jornal militar, citando como exemplos a Espanha, Grã-Bretanha, Bélgica, França, Itália, Roménia, Dinamarca, Polónia, Suíça, Finlândia.

“Claro que nem todos os focos de separatismo existente na Europa são perigosos... mas muito deles, depois da proclamação da independência do Kosovo, ganharão tanta força que farão literalmente explodir o velho continente” – considera o diário.

O jornal russo atribuiu as culpas desta situação à política norte-americana e ao “politicamente correcto” da União Europeia. “Para os Estados Unidos é mais importante conservar a sua presença militar nos Balcãs e provocar uma “leve instabilidade” nas fileiras da União Europeia, enfraquecendo assim essa organização.

A Europa volta a cair na armadilha criada pela sua anterior política de estímulo da desintegração da URSS e Jugoslávia. E tem dificuldade em sair dela devido ao maldito “politicamente correcto” – considera o Krasnaia Zvesda.

O diário militar russo cita as palavras de Vitali Tchurkin, representante da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, que declarou: “cerca de 200 formações poderão utilizar esse exemplo em todo o mundo.”
http://port.pravda.ru/mundo/18-02-2008/21686-futuro-0
JPTF 2008/02/18

Afeganistão foi o primeiro país a reconhecer a independência do Kosovo in BE92, 18 de Fevereiro de 2008

"We support the decision made by the people and we recognize Kosovo's independence," the troubled Asian country's Foreign Ministry spokesman said today.

This was followed by an annoucement by France after the EU ministerial meeting in Brussels today.

Reuters says that Britain, Germany and Italy followed Paris minutes later, saying they had or would imminently inform Priština of their decision.

Finland said it would be among those recognizing too.

Later during the day, U.S. Secretary of State Condoleezza Rice said that her country had formally recognized Kosovo's independence, and congratulated the "people of Kosovo".

U.S. President George Bush said Monday that the "people of Kosovo were now independent".

Bush was speaking in a live interview aired on NBC television from Arusha, Tanzania during a tour of Africa, Reuters reported.

"We'll watch to see how the events unfold today. The Kosovans are now independent. It's something I've advocated along with my government," Bush said.

Belgrade, backed by Moscow, has rejected such moves as illegal, and is seeking respect of its internationally recognized borders.

Earlier, Senators Barack Obama, Hillary Clinton and Joseph Biden all welcomed Kosovo Albanians' independence declaration.

One of the Democrats' presidential hopefuls, Clinton, called for a speedy recognition of Kosovo's independence.

Her rival, Obama, echoed the same sentiment, and added that he hoped Kosovo's authorities and people will do everything to make it a positive example of "democracy and rule of law".

Another democrat, Biden, who is the Foreign Policy Committee chair in the U.S. Senate, said he will soon call on his colleagues to join him in "expressing the Senate's support for Kosovo's independence".

Turkey was also one of the countries to support the Kosovo Albanians' moves that have been declared illegal by Serbia.

Ethnic Albanians in Kosovo Sunday declared unilateral secession from Serbia.
http://www.b92.net/eng/news/politics-article.php?yyyy=2008&mm=02&dd=18&nav_id=47809
JPTF 2008/02/18

fevereiro 17, 2008

A independência do Kosovo vista da Rússia pelo jornal Pravda: "Foras-da-Lei!"


por Timothy BANCROFT HINCHEY

A bandeira dos Estados Unidos da América voa alta entre os terroristas albaneses em Kosovo, depois de Pristina previsivelmente desprezar a lei internacional e declarar a sua “independência”. A declaração foi feita hoje pelo líder ex-terrorista e agora "Primeiro-Ministro" de Kosovo, Hashim Thaçi.

Hashim Thaçi está habituado a quebrar a lei, tendo dirigido um dos monstros mais sangüinários jamais visto a desonrar as terras dos Balcãs, o temido Ushtria Çlirimtare e Kosoves, ou o Exército de Liberação de Kosovo (ou KLA, sigla em inglês), que, como ele próprio tem admitido, executou actos de terrorismo para provocar os sérvios a tomarem medidas.

De acordo com seu passado, este assassino, este bandido, este terrorista, agora um político auto-nomeado, teve a audácia não só de desprezar as leis da República de Jugoslávia, e depois as leis da Sérvia, mas agora vai desprezar a lei internacional também, numa reivindicação ridícula de “independência” num território que é, e sempre foi, uma Província da Sérvia. Por quê não proclama a “independência” de um cantinho da Albânia?

Qualquer reconhecimento de Kosovo como um estado independente por qualquer outra parte é uma quebra flagrante da lei internacional, desde que a declaração não tem nenhuma legalidade. De fato, qualquer membro da comunidade internacional que reconhece Kosovo está neste ato dando o consentimento à formação de um estado paria, dirigido pelo mafia albanesa.

Qualquer ato de reconhecimento de Kosovo dá o consentimento aos crimes horrendos perpetrados pelo bando de criminosos internacionais que se esconderam atrás do KLA, que executaram actos chocantes de assassinato, destruição de propriedade, de escravidão sexual, tráfico de drogas e armas.

Qualquer estado que reconhece estes criminosos como um Governo e este, o coração da Sérvia como um país independente, sem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, quebrará a lei internacional e portanto, tal decisão fará dos Governos de tais países culpados da associação com criminosos.

Desde o Tratado de Westfália em 1648, a história da diplomacia internacional tem tentado estabelecer normas que respeitem as fronteiras existentes das nações soberanas. A Resolução 1244 da ONU reconhece o Kosovo como parte integral da Sérvia e visto que a Organização das Nações Unidas é o único fórum adequado da lei internacional com a jurisdição para determinar o estado de territórios, quer esta “declaração” absurda e ilegal, quer qualquer ato de reconhecimento, constituem uma quebra flagrante.

Que qualquer país que se considere um estado de lei, e que proclama que reconhece a necessidade de respeitar o devido processo legal, possa contemplar o reconhecimento deste bando de criminosos como um Estado é tão previsível como chocante.

O reconhecimento de Kosovo é uma admissão que a regra da lei, a noção de respeitar acordos vinculativos e o preceito de decência comum pertencem ao passado. O Mal ganhou sobre o Bem. O Demónio, afinal, venceu Deus.

Muitos das nações mais ricas e mais poderosas do mundo estão prestes a arremessar um precedente perigoso que basicamente despedaça qualquer tratado, despreza qualquer norma e profana as sepulturas dos milhares de homens e mulheres que laboraram infatigavelmente durante séculos para que a comunidade internacional pudesse ser construída sobre os alicerces da legalidade.
http://port.pravda.ru/mundo/17-02-2008/21670-forasdelei-0
JPTF 17/02/2008

fevereiro 13, 2008

"Kosovo planeia declarar a independência dentro de dias" in CNN, 13 de Fevereiro de 2008


In response to the anticipated declaration, Serbia has asked for an emergency meeting of the United Nations Security Council on Thursday to discuss "the extremely grave situation" in Kosovo, according to a report that was carried Wednesday by Novosti, the Russian News and Information Agency.

The Security Council plans to consider Serbia's request for an emergency meeting on Wednesday, the agency said.

Russia "categorically opposes the unilateral independence" of Kosovo, the news agency said. The new Serbian president, Boris Tadic, also opposes Kosovo's independence.

In an essay published Wednesday in the Kosova Press, a news agency, Prime Minister Hashim Thaci of Kosovo said that he expects Kosovo's parliament to declare independence "in the coming days."

European Union officials expect Kosovo to declare its independence on Sunday, Novosti reported.

Kosovo is a province of Serbia that has been under United Nations control since shortly after NATO warplanes forced out Serbian forces in 1999.

Despite the harsh words from opponents, analysts say they don't expect violence. Serbia's displeasure at an independent Kosovo is tempered by its president's ambition to join the European Union, which supports independence, and regional neighbors such as Albania and Macedonia who are cautious.

Observers have anticipated Kosovo's independence for months, ever since two years of U.N-sponsored talks to determine Kosovo's final status ended without agreement.

The pace accelerated last month when Kosovo's assembly approved former guerrilla leader Thaci as prime minister. He made declaring independence his top priority, and last weekend, Thaci said he had finally set a date.

"This weekend will be the last one before Kosovo declares independence," Thaci said Saturday.

Indicating it expected an imminent declaration, the European Union was finalizing plans to send an 1,800-member security and justice force to Kosovo, an EU official said Monday. The force, approved by EU leaders in December, will gradually take over from U.N. police and also will include judicial and legal personnel.

Kosovo's ethnic Albanian majority will be under close scrutiny after independence, especially about honoring the rights of the Serbian minority, who currently live in enclaves protected by NATO forces. Ethnic Albanians in Kosovo outnumber other ethnic groups, the largest being the Orthodox Christian Serbs, by about 9 to 1.

Protected Serbs have expressed fears of being further cut off from Kosovar society, and some even talk of leaving Kosovo altogether.

But Kosovo Albanians say memories of their persecution at the hands of the Serbs in the late 1990s are too fresh to reciprocate, and analysts say they're not likely to.

"The one thing the U.N. and the Kosovar government have done very well is stressing the right of the remaining Serbs to remain in place," said Tomas Valasek, director of foreign policy and defense at the Center for European Reform in London.

Valasek said the United Nations, which has administered Kosovo since 1999, has worked closely with Kosovo on a policy of "standards before status," making sure the government adheres to international standards -- such as protecting minorities -- before it can declare independence.

Serbian fears may be justifiable, Valasek said, in part because Thaci is the former political leader of the Kosovo Liberation Army, which rose up against Serb rule at the end of the last decade. But he said Thaci has worked hard to address the concerns.

"I think (Thaci) genuinely wants to be seen as the leader of a country rather than an ethnic guerrilla," Valasek said.

http://edition.cnn.com/2008/WORLD/europe/02/13/kosovo.independence/index.htmlJPTF 2008/02/13

janeiro 22, 2008

O International Herald Tribune revela um plano ‘brilhante‘ da UE para o reconhecimento da independência do Kosovo


"O Kosovo vai declarar a sua independência nos primeiros dois meses de 2008 e será reconhecido pelo Reino Unido, França, Itália e Alemanha dentro de 48 horas". Segundo o relata o mesmo jornal, fontes oficiais europeias descreveram "uma cuidadosamente orquestrada declaração de independência, provavelmente após as eleições sérvias, em inícios de Fevereiro, seguida de uma declaração da UE e do reconhecimento dos grandes Estados europeus. Mais países irão então reconhecer a independência do Kosovo numa sequência de anúncios" devidamente articulada. Esta começará com o reconhecimento pelos EUA e de outros países europeus não membros da UE, seguidos de um outro grupo composto pela Turquia, Macedónia, Albânia, Montenegro, Croácia e Eslovénia. Em seguida serão os 56 membros da Organização da Conferência Islâmica" (ver artigo integral do jornal International Herald Tribune). Como se pode ver, esta notável estratégia da Política Externa e de Segurança Comum (PESC) europeia, mostra uma qualidade de liderança e visão de futuro que vai certamente ser lembrada pelas gerações vindouras. Os motivos para rejubilar são muitos. Abre um precedente para as minorias com aspirações independentistas (bascos e catalães em Espanha, corsos em França, flamengos na Bélgica, sérvios da República Serbsca da Bósnia, húngaros da Transilvânia na Roménia, cipriotas turcos de Chipre, chechenos da Rússia, etc., todos estão reconhecidos por este precedente face ao Direito Internacional... ). Mas também trabalha altruísticamente para o "outro", ou seja, para o alargamento da Organização da Conferência Islâmica (OCI) em território europeu a mais um Estado muçulmano (isto para que a Albânia, com cerca de 70% da população muçulmana, e que já é membro da OCI, não se sinta isolada nesse "clube muçulmano"), abrindo o Kosovo à influência da Arábia Saudita, Egipto, Paquistão, Irão etc., todos ansiosos por projectarem a sua ideologia "liberal" e "secularista" sobre os muçulmanos dos Balcãs e subverterem o seu Islão tradicional, visto como demasiado soft e relaxado nas suas práticas, devido a quatro décadas de comunismo jugoslavo. Bem haja, Sr. PESC! Há ainda a questão do islamismo radical e do jihadismo que desta forma ganha terreno às portas da UE e do espaço Schengen, mas como este é (oficialmente) tão existente como os homossexuais no Irão de Ahamadinejad, podemos certamente todos dormir descansados.
JPTF 2008/01/22

janeiro 21, 2008

"A armadilha do Kosovo e o futuro da Europa" in Expresso, 19 de Janeiro de 2008


No meio da generalizada deriva europeia sobre a questão da independência do Kosovo, o artigo assinado pelo eurodeputado Mário David no "Expresso" desta semana, é uma invulgar voz de bom senso. O autor alerta para aquele que poderá ser "um gravíssimo precedente no âmbito do Direito Internacional" e para as consequências da actual política míope da União Europeia. Se a declaração de independência (unilateral) do Kosovo for reconhecida, interroga-se este, "que legitimidade haverá para obstaculizar que a República Serbsca não queira continuar na Bósnia Herzegovina? E a questão da Voivodina? Da Transnistria? ou da Transsilvânia? ou da Ossétia ou da Abcásia? Ou da Tchetchénia ou outras dezenas de repúblicas da zona que nunca ouvimos até agora falar? São nomes que não nos dizem quase nada? E quando o precedente for invocado pela Córsega, pela Flandres, pelo País Basco ou pela Catalunha? Aí já não vale?". Infelizmente tudo indica que esta União, que há vários anos está em dupla fuga para a frente - faz tratados e alargamentos alimentando uma ilusão de "Europa em movimento" -, vai optar pelo mais fácil: o reconhecimento da independência do Kosovo. Todavia, as consequências desta decisão aparecerão certamente mais à frente. As futuras gerações europeias arriscam-se a ter de pagar a factura deste perigoso e irresponsável precedente, que abre caminho a "uma Europa atomizada de dezenas de regiões em permanente querela para a afirmação obsessiva das suas mini-identidades"! Quo vadis Europa?
JPTF 2000/01/21