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março 20, 2008

"Quando os Estilos de Vida Colidem", livro de Paul M. Sniderman e Louk Hagendoorn, Imprensa da Universidade de Princeton, 2007


Paul M. Sniderman e Louk Hagendoorn efectuaram um importante estudo de caso sobre a experiência multicultural mais ambiciosa da Europa: a da Holanda. Pelas razões que veremos já em seguida, o livro poderia também ter como sub-título: "o fracasso da utopia multicultural holandesa". Importa começar por notar que as conclusões dos autores são baseadas numa investigação empírica iniciada em 1998 na sociedade holandesa, não tendo qualquer ligação directa com os acontecimentos de 11 de Setembro. No cerne do livro está a maneira como a ideologia e políticas multiculturais, que marcaram a sociedade holandesa a partir dos anos 60 - e se basearam em promessas de ‘progressivismo‘ social, que eliminaria o preconceito e promoveria o reconhecimento igualitário das diferentes culturas -, é vista pelo indivíduo comum. Para além disso, são analisados os resultados das políticas multiculturais, que em muitos aspectos, acabaram por ser o oposto do pretendido. Por exemplo, no caso dos muçulmanos que emigraram para a Holanda, os resultados das políticas multiculturais foram, frequentemente e de forma paradoxal, o de preservar e promover algumas das práticas mais iliberais e conservadoras existentes nas áreas mais sub-desenvolvidas dos países de origem dos emigrantes. Ainda que involuntariamente, as políticas multiculturais legitimaram comportamentos arcaicos e práticas tradicionais de discriminação das mulheres e crianças, bem como a separação dos sexos na esfera pública. Em vez de uma integração na sociedade de acolhimento acabou por ser estimulado um crescente apartheid social, ao subsidiarem, por exemplo, a educação em escolas religiosas separadas do resto da sociedade. O estudo mostra também como multiculturalismo na Holanda nunca foi o resultado de qualquer pressão da generalidade da sociedade para a adopção dessas políticas. Pelo contrário, teve sempre, e tem hoje mais do que nunca, um grau de descontentes (muito) significativo. O seu impulso resultou de uma pretensão das elites educarem e "iluminarem" as massas, algo extremamente questionável numa sociedade democrática, baseada no princípio da soberania popular.
JPTF 2008/03/20

março 19, 2008

A tecnologia une e a cultura divide? O diferente uso dos telemóveis pelos jovens ocidentais e muçulmanos

A mesma tecnologia, dois usos culturalmente diferentes. Nas sociedades ocidentais, o telemóvel tornou-se um instrumento de culto da irreverência juvenil, explorado até à exaustão pelas marcas. O seu uso tem vindo a acentuar o lado hedonista e materialista da cultura ocidental. Os jovens usam-no crescentemente para trocar SMS e falar com os amigos(as), namorar, marcar encontros, jogar jogos, ouvir música, tirar fotografias, descarregar toques polifónicos e imagens sexy, "destruir tabus" sexuais, navegar na internet em sites apropriados ou inapropriados para a sua idade ...

No caso dos jovens muçulmanos, o telemóvel também é um instrumento particularmente apetecível. O seu uso está igualmente a acentuar facetas marcantes da cultura muçulmana, como, por exemplo, o revivalismo da Sharia islâmica. Esta surge agora como um estilo de vida "alternativo" e "irreverente", contra a nova jahiliyya (ignorância) das materialistas e hedonistas sociedades ocidentais. Assim, em vez de música rock ou imagens sexy, aos jovens muçulmanos é proposto descarregar os hadith (ahadith no plural), as tradições relativas às acções e ditos do Profeta Maomé...
JPTF 2008/03/18

março 18, 2008

Quem está a islamizar a vida diária na Turquia?


O jornalista turco Mehmet Ali Birand escreveu um interessante artigo onde analisa quem está por detrás da crescente islamização da vida diária na Turquia. Na esfera pública, Emine Erdoğan, mulher do líder do AKP e actual Primeiro-Ministro, é um bom exemplo da ascensão do look islâmico (ao lado, capa da biografia publicada por Ayla Özcan). A esta junta-se agora mulher do actual Presidente da República eleito pelo AKP, Abdullah Gül, também uma adepta do véu islâmico, que agora predomina nas recepções oficiais. Mehmet Ali Birand constata que há uma cada vez maior tendência islamizadora, que se observa em pequenas coisas do dia a dia, como a recitação do Corão nas conversas correntes, o uso de uma linguagem com recurso frequente a palavras em árabe, o hábito de se referir o Corão quando se faz alguma afirmação, o número de "provérbios islâmicos" que recheiam a linguagem, a mudança do vestuário das mulheres, a substituição de bebidas alcoólicas por sumo de laranja, a recusa de apertar as mãos das mulheres, o cumprimento dos outros com a mão no coração, a crescentemente frequente separação das mulheres dos homens, etc… Ver artigo integral no Turkish Daily News.
JPTF 2008/03/18

março 17, 2008

"O primeiro bombista-suicida alemão no Afeganistão?" in Der Spiegel


Um jovem alemão de ascendência turca poderá ter efectuado um ataque no Afeganistão que matou dois soldados norte-americanos. A União da Jihad Islâmica afirma que que Cüneyt C., de 28 anos de idade, proveniente da Baviera, foi responsável pelo ataque efectuado a 3 de Março. Agora, as autoridades germânicas estão desesperadamente a tentar confirmar a identidade do bombista suicida. A confirmar-se a veracidade desta informação será o primeiro caso de um bombista suicida alemão. Ver texto integral na edição internacional da Der Spiegel.
JPTF 2008/03/17

março 07, 2008

Apelo ao voto no PSOE de líderes muçulmanos espanhóis gera controvérsia in ABC, 7 de Março de 2008


por J. Pagola

Entre la población musulmana residente en España ha causado cierta «perplejidad» que destacados líderes islamistas hayan pedido, expresa o tácitamente, el voto para el PSOE, un partido promotor de leyes como la que reconoce los matrimonios homosexuales -ya vigente-, o la que podría ampar legalmente las parejas de hecho. Dos «aberraciones» que el Islam -«Sharia»- prohíbe como pecado.

La Comisión Islámica, controlada por la Unión de Comunidades Islámicas de España (UCIDE) y la Federación Española de Entidades Religiosas Islámicas (FEERI), no menciona expresamente a ningún partido, pero, en un documento, pide a sus seguidores que a la hora de depositar su voto sean «conscientes de quiénes son, de entre los candidatos presentados, los que incluyen en sus programas iniciativas de restricción de derechos individuales» y «quiénes, en cambio, han estado apoyando su derecho igualitario, también a la enseñanza religiosa, sin discriminación alguna». Los propios líderes de la Comisión, que negocia con el Gobierno las demandas -subvenciones, mezquitas, profesores de religión islámica...- de la población musulmana, se encargan de disipar dudas cuando aseguran que quien restringe los derechos es el candidato Rajoy con su propuesta de un contrato de integración para inmigrantes. En nuestro país hay alrededor de 400.000 musulmanes con derecho a voto, bien porque han obtenido la nacionalización española, bien porque son españoles conversos.

Más contundente a la hora de pedir el voto para el PSOE, aunque sin citarlo expresamente, ha sido la Junta Islamista, a través de su presidente, Mansur Escudero. Este ciudadano español converso al Islam solicita el apoyo a los«partidos progresistas», eso sí, tras aclarar que la propuesta de un contrato de integración anunciada por Rajoy es «peligrosa», ya que «con este tipo de medidas, el PP se va a convertir en la referencia de la ultraderecha en Europa». En opinión de Mansur Escudero, en España «ya tenemos las leyes para poder exigir lo que deben hacer todos los ciudadanos que estén en España, sean inmigrantes o no, y no veo la necesidad de un contrato cuando está la ley para exigir y determinar las obligaciones y derechos de los inmigrantes». La Junta islámica recibió el pasado año una subvención de 100.000 euros. Se da la circunstancia de que en julio de 2006, destacados líderes musulmanes se reunieron en Estambul para aprobar un contrato de ciudadanía que favoreciera la mejor integración de los musulmanes en las sociedades europeas. En la declaración suscrita se aseguraba que «los musulmanes europeos tienen una gran oportunidad para desarrollarse como ciudadanos en un contexto pluralista, beneficiándose del acceso a la educación, prosperidad y el desarrollo. De acuerdo a la enseñanza del Islam, los musulmanes tienen el deber de promover la armonía social y las buenas relaciones con sus vecinos». Los líderes musulmanes pidieron a los gobiernos europeos que promovieran la integración, a través de medidas tales como el fomento de la educación, con el fin de alentar un mayor conocimiento y la puesta en marcha de programas sociales. El único representante musulmán procedente de España que acudió a aquella cumbre de Estambul fue, precisamente, Mansur Escudero, el mismo que ahora arremete contra el PP por proponer un contrato de integración similar.

Homosexualidad «aberrante»
En sectores de la población musulmana radicada en España, con todo, lo que más ha suscitado «perplejidad» ha sido la apuesta que algunos líderes han hecho por la candidatura del PSOE, un partido que ha promovido la ley de matrimonios homoxeasuales y que propone en su programa, para la próxima legislatura, el reconocimiento de las parejas de hecho. Algo prohibido, por aberrante, en el Corán y la «Sharia».
http://www.abc.es/20080307/nacional-politica/votos-para-pecado_200803070251.html

março 04, 2008

A Queda de Marx e a Ascensão de Maomé nos Balcãs (Parte V)



A formação dos modernos Estados-Nação nos Balcãs ocorreu num processo evolutivo substancialmente diferente da Europa Ocidental. Os antigos millet otomanos – as comunidades étnico-religiosas sujeitas ao poder imperial e teocrático do sultão-califa – só ao longo do século XIX e inícios do século XX deram lugar a formas de organização política comparáveis às da Europa Ocidental. Neste processo de libertação do poder imperial e colonial otomano, o antigo millet otomano dos cristãos ortodoxos (o rum millet), deu lugar a novas identidades seculares nacionais: gregos, sérvios, búlgaros, etc. Por sua vez, os muçulmanos otomanos (os súbditos de primeira do Estado islâmico otomano), surgiram também com identidade seculares nacionais como albaneses, bósnios, etc. Este processo histórico que ficou congelado durante a Guerra Fria, voltou a reabrir-se na última década do século XX, tendo os conflitos dramáticos que levaram à sua desagregação ocupado sistematicamente a agenda internacional. Nos últimos anos, as questões ligadas à divisão da ex-Jugoslávia perderam relevância nos media europeus e ocidentais gerando, na opinão pública, a sensação enganadora de estarem resolvidas. Todavia, a realidade no terreno é substancialmente diferente. O (teoricamente) unitário Estado da Bósnia-Herzegovina é uma construção extremamente frágil dos Acordos de Dayton (1995), integradas, na prática, por duas entidades autónomas que, de facto, vivem separadas entre si – a artificial Federação da (croata-muçulmana) da Bósnia e Herzegovina, liderada pelos muçulmanos-bósnios e a República Srpska dos sérvios-bósnios. A Macedónia, um Estado de dimensão geográfica e população diminuta tem também estrutuas estaduais frágeis. O seu funcionamneto assenta num delicado equilíbrio entre a sua maioria macedónia eslava e cristã ortodoxa, e uma minoria substancial, ainda que hetorogénea, de muçulmanos, composta sobretudo por albaneses étnicos. Quanto ao Kosovo, que nos últimos meses saíu do esquecimento e voltou a reentrar na agenda política, é um micro território composto em mais de 90% por populações albanesas (esmagadoramente muçulmanas) ambicionado converter-se em Estado soberano. Nesta última questão, a estratégia europeia e ocidental parece ser a de apostar na sua independência, perdendo a Sérvia (mais) uma parcela do seu território e população, em troca de uma aceitação da sua candidatura à União Europeia. Para além da desconformidade face ao normativo do Direito Internacional Público e aos princípios da Carta das Nações Unidas, que afirmam a soberania e a integridade territorial dos estados, esta estratégia europeia levanta, de um ponto de vista político, diversas dúvidas e interrogações. Serão micro estados como o Kosovo entidades politicamente viáveis numa região geopolítica instável como os Balcãs? A resposta mais óbvia é que tais entidades estaduais só serão viáveis se se converterem em protectorados permanente de potências estrangeiras, sejam elas ocidentais (União Europeia ou EUA) ou muçulmanas (é o caso da Turquia que, nos últimos anos, tenta desenvolver uma política externa neo-otomana, mas também de outros Estados que aspiram à liderança do mundo árabe e islâmico como a Arábia Saudita ou o Irão). Embora o protectorado europeu/ocidental possa ser a solução menos má das duas, não deixará de levantar problemas complexos e de ter custos muito elevados. À rivalidade e desconfiança entre as populações muçulmanas e as populações ortodoxas, junta-se uma outra rivalidade e desconfiança face ao próprio Ocidente, cuja raízes mais profundas se encontram na fractura milenar entre o Cristianismo Latino e o Cristianismo Ortodoxo. Por absurdo que posso parecer, esta fractura condiciona a percepção dos acontecimentos na região. Por exemplo, durante as guerras da Jugoslávia as populações ortodoxas dos Balcãs interpretaram frequentemente a actuação europeia/ocidental como uma aliança oportunista contra a Ortodoxia, punindo a Sérvia pela sua resistência às tentativas ocidentais (através do reconhecimento unilateral da independência das católicas Eslovénia e Croácia, liderado pela Alemanha e Áustria) e do Papa (através do suporte às acções dos cristãos uniatas, que são cristãos de rito ortodoxo que reconhecem a sua autoridade), com o objectivo de reunificar a Europa no plano religioso. Quanto à segunda possibilidade, um Kosovo sob influência de potências muçulmanas – algo que no médio ou longo prazo poderá ser o resultado da actual política europeia de apoiar a independência de um território, o qual está destinado a ser o segundo Estado muçulmano na Europa (os países da Organização da Conferencia Islâmica certamente estão gratos...) –, arrisca-se a reavivar na região as memórias conflituais do «jugo otomano». Mas, pior do que isso, pode re-abrir portas ao jihadismo, agora num contexto internacional mais perigoso que nos anos 90. Vale a pena recordar que nas guerras da Bósnia (1992-1995) e do Kosovo (1999) foram feitas várias tentativas de internacionalização do conflito, por sobretudo pelo líder bósnio muçulmano, Alia Izetbegovic, que via no caso do Paquistão um modelo a seguir para a Bósnia...), apelando à solidariedade da umma. A estes apelos responderam entusiasticamente os movimentos islamistas que, nos casos mais radicais, proclamaram uma jihad contra os sérvios (cerca de um milhar de ex-combatentes da jihad do Afeganistão afluíram à Bósnia). Para além disso, Estados como o Irão projectaram a sua influência através do fornecimento de armas e financiamento da aquisição de equipamento militar e a Arábia Saudita financiou (e continua a financiar) a construção de mesquitas e madrasas de rito whhabita, que difundem um Islão bastante retrógrado e estranho às populações locais. A ironia da história dos Balcãs pós-Guerra Fria é que nos tempos de Marx as coisas eram infinitamente mais simples, ou pareciam sê-lo, quando vistas do Ocidente. Que o diga a União Europeia que parece não ter aprendido as lições do passado.
JPTF 2008/03/04

março 03, 2008

A Queda de Marx e a Ascensão de Maomé nos Balcãs (Parte IV)



A situação mais complexa actualmente é a dos novos Estados que resultaram do desmembramento da antiga República Federal Socialista Popular da Jugoslávia, criada no pós II Guerra Mundial, por Josep Broz, mais conhecido como marechal Tito, nascido em 1892 de pai croata e mãe eslovena, em Kumrovec, altura ainda uma província do Império Austro-Húngaro (hoje faz parte da Croácia). Aparentemente, a paz autoritária imposta por Tito, associada à antipatia ideológica do comunismo ao «ópio do povo», teriam colocado os muçulmanos jugoslavos (tal como as outras confissões religiosas cristãs) numa situação delicada, similar, por exemplo, a dos albaneses, sob Enver Hosha. A realidade foi bastante diferente. A ruptura do governo comunista jugoslavo de Tito com a ex-URSS, que ocorreu a partir de 1948, levou o regime a procurar novas alianças no exterior. A partir de 1955, com a Conferência de Bandung, que surgiu na sequência de uma iniciativa conjunta da Jugoslávia (Tito), do Egipto (Nasser) e da Índia (Nehru), e na qual ganhou forma o Movimento dos Não-Alinhados, este movimento tornou-se na principal linha de política externa e de alianças da Jugoslávia. Esta vertente externa associada à complexidade dos equilíbrios étnico-religiosos internos favoreceu os muçulmano jugoslavos (leia-se a comunidade muçulmana da Bósnia-Herzegovina), a mais importante e mais numerosa, e, aspecto importante num Estado de «eslavos do Sul», a única formada por populações eslavas. Assim, sob a liderança de Tito, tornaram-se na principal imagem de marca de um regime que pretendia mostrar-se amigo incondicional dos povos árabes e muçulmanos, que eram a maioria dos membros do Movimento dos Não-Alinhados. Desta forma, dignitários influentes do mundo muçulmano como Kadhafi (Líbia) ou Nasser e Sadat (Egipto), foram nessa época recebidos na Jugoslávia em cerimónias simbólicas solenes, efectuadas nas principais mesquitas da Bósnia. Ainda sob os auspícios do governo de Tito e da Autoridade Suprema islâmica da Jugoslávia, ocorreram frequentes intercâmbios culturais e religiosos com o mundo árabe-islâmico e foram até construídas novas mesquitas, algo particularmente invulgar sob um regime comunista. Esta política que favoreceu a comunidade muçulmana da Bósnia – a qual, no final dos anos 60, passou a ser reconhecida com uma nação constitutiva da federação jugoslava, os Muçulmanos com «M» –, e que foi motivada por uma estratégia de um regime que pretendia apresentar-se (aos aolhos do mundo árabe e islâmico), como seguidor de Marx e de Maomé, acabou por alimentar a complexa engrenagem de um conflito que explodiu violentamente com o ruir da ordem da Guerra Fria.
JPTF 2008/02/03

março 02, 2008

A Queda de Marx e a Ascensão de Maomé nos Balcãs (Parte III)



Os muçulmanos dos Balcãs são tradicionalmenter formados por grupos bastante diversificados, quer do ponto de vista étnico-linguístico, quer do ponto de vista religioso. No plano étnico-linguístico encontramos quatro grandes grupos: os albanófonos (entre 4 milhões a 4,5 milhões, vivendo principalmente na Albânia, no Kosovo, na Macedónia e no Montenegro); os eslavófonos (cerca de 2,5 milhões), que se subdividem em falantes do servo-croata (muçulmanos/bósnios da Bósnia-Herzegovina, do Sandjak na Sérvia, do Kosovo e da Macedónia), do Macedónio (goranis do Kosovo e da Albânia e torbexes da Macedónia) e do búlgaro (pomaques da Bulgária e da Grécia); os turcófonos (pouco mais de 1 milhão), que se encontram na Trácia grega, na Bulgária, na Macedónia, e mais residualmente no Kosovo e na Roménia; e encontramos também ciganos muçulmanos, que falam o «roma» e outras línguas vernaculares, presentes um pouco por todo o conjunto dos Balcãs. Por sua vez, no plano religioso, e para além de um grau de práticas religiosas que pode ser muito variável, existem diferenças de relevo entre uma maioria sunita (de rito hanefi/hanefita), mais ou menos ortodoxa, e os grupos heterodoxos de alevis-kizilbaxes (na Trácia grega e na Bulgária), os bectaxis (em regiões da Albânia, da Macedónia e na zona de Djakovica, no Kosovo) que, entre si, têm em comum o facto de partilharem uma devoção particular por Ali, o genro do Profeta Maomé (neste sentido, e sobretudo os alevis-kizilbaxes, poderão ser considerados como uma espécie de xiismo não ortodoxo). No terreno, e fora do Islão, estas populações interagem sobretudo com populações religiosa e/ou sociologicamente cristãs, ligadas esmagadoramente ao Cristianismo Ortodoxo Oriental, e às suas diferentes Igrejas Autocéfelas de cariz nacional (grega, sérvia, búlgara, etc.), numa convivência que nem sempre é fácil e não está invulgarmente isenta de atritos. Apenas um exemplo, o caso da Grécia, que é um país democrático, membro da União Europeia desde 1981, e de longe o Estado mais consolidado e melhor sucedido dos Balcãs pós-otomanos, serve para mostrar bem a complexidade do relacionamento. Na Trácia grega existe uma minoria de populações muçulmanas na ordem das 140.000 pessoas, preservada pelo Tratado de Lausana de 1923, que regulou a dissolução do Império Otomano. Apesar da sua reduzida dimensão está na origem de frequentes atritos entre a Grécia e a Turquia, a começar na designação da mesma: no discurso oficial da Grécia são «muçulmanos»; no discurso oficial da Turquia são «turcos». Há cerca de uma década e meia atrás, a situação agudizou-se quando um dos líderes dos muçulmanos gregos, Ahmet Sadik, decidiu criar um partido comunitário «turco» e teve o apoio entusiástico de alguns partidos na Turquia e da generalidade da imprensa turca. A resposta do governo grego foi drástica: fez aprovar no Parlamento uma alteração à lei eleitoral, criando um patamar mínimo de 3% dos sufrágios a nível nacional, para um partido poder ter representação parlamentar. O resultado foi que dos três habituais deputados muçulmanos normalmente eleitos nenhum superou essa fasquia logrando entrar no Parlamento. Esta é uma medida também bem conhecida da Turquia onde a respectiva lei eleitoral impõe a obtenção de pelo menos 10% dos sufrágios a nível nacional, para um partido poder obter representação parlamentar, sendo o alvo principal desta a minoria curda.
JPTF 2/03/2008

fevereiro 27, 2008

"Cristãos acossados na Argélia" in El Pais, 27 de Fevereiro de 2008


Hace un par de meses, la paciencia del nuncio apostólico en Argelia, Thomas Yeh, y del arzobispo católico de Argel, Henri Tessier, llegó a su límite. Tomaron entonces una iniciativa sin precedentes desde la independencia, hace 45 años: organizaron una reunión con 15 embajadores occidentales en la nunciatura.

Hace un par de meses, la paciencia del nuncio apostólico en Argelia, Thomas Yeh, y del arzobispo católico de Argel, Henri Tessier, llegó a su límite. Tomaron entonces una iniciativa sin precedentes desde la independencia, hace 45 años: organizaron una reunión con 15 embajadores occidentales en la nunciatura.

Yeh les entregó una larga lista de agravios y trabas padecidos por los cristianos desde la Semana Santa de 2006. El más grave es, según la Iglesia católica, un intento encubierto de expulsión hace nueve meses. Tras recibir una circular del Ministerio del Interior, las autoridades locales, a veces el mismo wali (gobernador), convocaron en mayo a sacerdotes y monjas para, en la mayoría de los casos, "pedirles que se marchen con urgencia" del país a causa de la amenaza de Al Qaeda.

En las grandes ciudades, como Argel y Orán, y en varios remotos lugares del desierto, sólo les solicitaron que extremaran la prudencia e "informen a la policía de sus desplazamientos". "Ninguno aceptó marcharse", recalca con orgullo el documento remitido a los embajadores.

La presencia católica en Argelia es más bien testimonial. Se resume a unos miles de fieles repartidos en cuatro diócesis -Argel, Orán, Constantina y Gharadia-, en 110 sacerdotes y monjes y 175 monjas apoyados por un centenar de laicos. Se les han añadido recientemente los protestantes evangélicos, que han logrado atraer a miles de argelinos.

En Argelia hay, según algunas estimaciones, entre 70.000 y 120.000 sobre un total de 33 millones de habitantes. "Si no nos fuimos a mediados de los noventa, cuando nos mataban como chinches -19 asesinatos en dos años-, ahora tampoco hay motivos para hacer las maletas", explica un religioso.

El arzobispo Tessier pidió en mayo audiencia con el ministro de Interior, Yazid Zerhouni, y consiguió que redactase una segunda circular que rectificaba en parte la primera, que hubiese provocado un éxodo. No siempre Interior ha actuado así. En diciembre de 2006, el presidente de la Iglesia protestante de Argelia, el pastor suizo Ueli Senhauser, se vio obligado a abandonar el país al no serle renovada su residencia. Las dificultades para la obtención de visados de entrada son cada vez mayores hasta el punto de que el arzobispo de Nîmes o la madre superiora de las Hermanas Blancas han renunciado a sus viajes.

"Aunque bien intencionada, la lista del nuncio es incompleta", señala Youssef Ourahman, un pastor evangélico de Orán. "Bajo diversos pretextos a nosotros nos han cerrado siete iglesias en 2007", prosigue este argelino que se convirtió al cristianismo hace 30 años.

Desde la reunión en la nunciatura, la tendencia persiste. Pierre Wallez, un sacerdote francés, fue condenado el 30 de enero a un año de cárcel por un tribunal de Maghnia por haber rezado, un mes antes, con un puñado de cameruneses católicos que intentaban emigrar a España.

A Wallez se le aplicó una ley, aprobada hace dos años, que prohíbe cualquier culto no musulmán fuera de los edificios expresamente autorizados. Wallez rezó en medio de un bosque porque es allí donde malviven los subsaharianos. "La Iglesia católica de Argelia no comprende esta sentencia", señaló un comunicado del obispado de Orán.

Una semana después, un tribunal de esa ciudad condenó a tres pastores evangélicos a tres años de cárcel y una multa individual de 500.000 dinares (5.200 euros) por blasfemar y quebrantar la fe musulma, dos delitos recogidos en la ley de 2006.

Bouabdallah Ghamallah, el ministro de Asuntos Religiosos, insiste en sus intervenciones en que en Argelia "hay libertad de culto", pero justifica los veredictos. Los que montan iglesias clandestinas en garages, sótanos o casas particulares "caen en la ilegalidad", subrayó. "Desprecian la legislación y se colocan fuera de la ley".

"Un extranjero que pide a un argelino que cambie de religión atenta contra su dignidad", sostuvo Ghamallah ante los micrófonos de la radio pública. "Tenemos la impresión de que asistimos a un renacimiento del proselitismo del siglo XIX", se lamentó.

"Desde hace un tiempo, el proselitismo", denuncia, por su parte, el jeque Bouamran, presidente del Alto Consejo Islámico, "se ha convertido en un fenómeno más visible y cínico que antes de la independencia", cuando los padres blancos franceses recorrían el país. Por eso invitó públicamente a los servicios de seguridad a que tomen cartas en el asunto. Si la seguridad debe investigar es porque esos grupos tienen vínculos con Occidente. Los evangélicos "buscan constituir una minoría que dará un pretexto a las potencias extranjeras para inmiscuirse en los asuntos internos de Argelia", advirtió el ministro Ghamallah.

El presidente del Consejo de los Ulemas (doctores de la ley islámica), Abderramán Chiban, confirmó la injerencia extranjera cuando narró, la semana pasada, su entrevista con un diplomático de EE UU que le preguntó por "la persecución de los cristianos". "Le respondí que los musulmanes sí que están siendo perseguidos por los cristianos en sus países", afirmó con aplomo.
http://www.elpais.com/articulo/internacional/Argelia/acosa/cristianos/elpepiint/20080227elpepiint_1/Tes?print=1
JPTF 2008/02/27

fevereiro 20, 2008

O Arcebispo, a Sharia, Adam Smith e a Democracia


Ao lermos o livro de Callum G. Brown, "The Death of Christian Britain" (A Morte da Grã-Bretanha Cristã, Routledge, 2000), vêem-nos à mente as recentes declarações do Arcebispo de Cantuária a favor da introdução da Sharia islâmica no Reino Unido. Face à tese sombria do livro sobre o futuro do Cristianismo, o leitor mais ingénuo terá suposto que o líder da Igreja Anglicana estaria extremamente preocupado com a situação de diminuição do número de fiéis no culto e com a perda de vitalidade cristã na sociedade. Todavia, nenhuma destas banalidades terrenas parece preocupar Rowan Williams. O que importa mesmo, segundo parece, é a ideia visionária que teve sobre a introdução da Sharia islâmica, para já em matéria de família, a qual, segundo este, melhoraria a "integração dos muçulmanos britânicos". Podemos imaginar os efeitos desastrosos que um personagem com este perfil teria à frente de uma empresa ou organização com o objectivos de cumprir a sua missão e prosperar, onde a melhor ideia que conseguia ter era... "oferecer o mercado" à concorrência. Felizmente para os accionistas da empresa ou associados da organização, certamente já teria sido despedido. Infelizmente para os anglicanos, vão ter de continuar a aguentar um líder cujo nome, tudo indica, vai ser um referência obrigatória para futuras gerações de historiadores quando tratarem o tema da "morte do Cristianismo" britânico. Mas não é só o Arcebispo de Cantuária que denota esta forma singular de pensamento estratégico, que derrota a própria organização da qual (deveria ter) a responsabilidade de fazer prosperar. Alguns elementos do governo de Gordon Brown, como o responsável pelo tesouro Alistair Darling, mostram propensão para similares medidas visionárias, ao prepararem, longe do escrutínio do cidadão comum, o lançamento de um empréstimo especial obrigacionista de acordo com a Sharia islâmica. Este será sancionado por uma fatwa de um ulema muçulmano e, por isso, livre do "pecado" capitalista dos juros, permitindo ao tesouro britânico financiar-se junto de países do Médio Oriente e, aparentemente também com o argumento de melhorar a "integração dos muçulmanos britânicos" (não é difícil imaginar o coro de protestos que se levantaria, se similar empréstimo tivesse de ser feito com a benção da Igreja - um retrocesso civilizacional, sem dúvida). Já sabíamos que o capitalismo não tem problemas éticos, nem religiosos, com ditaduras de direita (o Chile de Pinochet), nem com ditaduras de esquerda (a actual China comunista). Ficamos agora a saber que também não tem problemas éticos, nem religiosos, com teocracias islâmicas (Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, etc.). Todavia, este crescente divórcio entre o capitalismo e a democracia liberal é um sintoma preocupante, que não augura nada de bom para o futuro das sociedades democráticas, abertas e pluralistas do Ocidente. Não será por isso grande surpresa se, no país de Adam Smith, o clássico "A Riqueza das Nações" for reescrito para compatibilizar o furor capitalista multicultural britânico com a Sharia islâmica. Não é só o Cristianismo que está lentamente a degenerar e a morrer nas ilhas britânicas, mas também a democracia liberal e secular tal como a conhecemos.
JPTF 2008/02/20

fevereiro 19, 2008

A "declaração de dependência" do Kosovo e a bizarra política euro-atlântica nos Balcãs



Um novo estado - o Kosovo - emergiu no dia 17 de Fevereiro, pelo menos para aqueles países que o reconheceram, como é o caso da maioria dos membros da UE, dos EUA, e, sobretudo, da generalidade dos países da Organização da Conferência Islâmica (OCI) - a excepção, claro, são sobretudo os que se confrontam com reivindicações separatistas sobre o seu próprio território, como, por exemplo, a Indonésia. Mas se a situação do Kosovo era problemática antes de 17 de Fevereiro, tudo indica que o vai continuar ser, pela oposição da Rússia (separatismo da Chechénia e aliança tradicional com a Sérvia), da China (separatismo de Taiwan, do Tibete, etc.), da Índia (separatismo de Caxemira), de vários membros da UE e de um número importante de outros países no resto do mundo. Pelo que foi possível ver até agora, a independência do Kosovo está a criar uma (desnecessária) fonte adicional de tensões, num ambiente internacional já bastante tenso e complexo. O seu exemplo arrisca-se a alimentar reivindicações independentistas, na Europa e fora dela, que podem por em causa a já frágil ordem e estabilidade internacional. Mas o mais paradoxal em tudo isto é a bizarra política euro-atlântica de promover a criação de um novo estado onde a população é, em termos religiosos ou sociológicos, maioritariamente muçulmana, que fica a ser o segundo estado muçulmano na Europa, a seguir à Albânia (ver o artigo de Llewellyn King "Kosovo: Now a Muslim Country in Europe"). As palavras do Secretário-Geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI) mostram também, sem grande surpresa, a maneira diferente como é vista, numa perspectiva islâmica, a independência do Kosovo: "um activo para o mundo muçulmano" e um motivo de regozijo para a umma islâmica. Não sei se os europeus e norte-americanos pensaram nisto a médio ou longo prazo - infelizmente, parece que perderam esse hábito -, mas uma coisa parece óbvia: ou assumem a difícil tarefa de construção de um estado e de um protectorado ab eterno do Kosovo (com o necessário envolvimento político, militar e de ajuda económica e social - neste sentido a declaração de independência foi mais uma "declaração de dependência" da UE e dos EUA), ou então, mais tarde ou mais cedo, este será uma porta aberta para a projecção da influência árabe e islâmica no sudeste europeu. Pior do que isso, se o Kosovo engrossar o número de estados falhados - o facto de o primeiro país a reconhecer a sua independência (o Afeganistão), ser um estado falhado tem já a sua ironia ... -, poderá tornar-se numa porta de entrada por onde o islamismo radical e do jihadismo vão tentar entrar na UE. Será que este foi um risco calculado?
JPTF 2008/02/19

Secretário-Geral da OCI apoia a independência do Kosovo que será "um activo para o mundo muçulmano"


With regard to the declaration of independence by Kosovo yesterday, Secretary General of the Organization of the Islamic Conference Prof. Ekmeleddin Ihsanoglu made the following remark today (18 February 2008) in Dakar at the opening of the OIC Senior Officials Meeting preparatory to the forthcoming OIC Summit to be held there on 13-14 March 2008:

"…a very important event took place yesterday. Kosovo has finally declared its independence after a long and determined struggle by its people. As we rejoice this happy result, we declare our solidarity with and support to our brothers and sisters there. The Islamic Umma wishes them success in their new battle awaiting them which is the building of a strong and prosperous a state capable of satisfying of its people. There is no doubt that the independence of Kosovo will be an asset to the Muslim world and further enhance the joint Islamic action."
http://www.oic-oci.org/oicnew/topic_detail.asp?t_id=840
JPTF 2008/02/2008

fevereiro 18, 2008

"Muçulmanos kosovares pretendem reconhecimento e ajuda muçulmana" in Islam Online, 18 de Fevereiro de 2008


CAIRO — The Albanian Muslim majority in newly-independent Kosovo is appealing for swift recognition from Muslim countries as well as assistance to help sustain their new state.

"We call on the Muslim world to recognize the nascent state of Kosovo," Sabri Bajgora, the chief imam at the Islamic Sheikhdom of Kosovo, told IslamOnline.net over the phone.

Prime Minister Hashim Thaci declared the independence of Kosovo on Sunday, February 17, vowing the new state will be a democratic society that respects human dignity.

The announcement was instantly marked by fanfare.

Hundreds of thousands of flag-waving Kosovars, many returned from overseas for the occasion, poured into the snow-blanketed streets of the capital Pristina to celebrate the birth of their independent state.

Firecrackers went off sporadically, competing with folk music blaring from loudspeakers outside CD shops.

Many believe the happiness would be completed with international, particularly Muslim, recognition of Europe's newest state and world's 193rd.
"We are in urgent need of political support to preserve our independence," said imam Bajgora.

Abdullah Klinako, the leader of the Justice Party of Kosovo's youth wing, agreed.

"We need Muslim assistance to join international organizations such as the United Nations."

The US and major European powers had been expected to give swift diplomatic recognition, but EU foreign ministers are still wrangling over how to react.

At an emergency session of the UN Security Council on Sunday, Western powers resisted a bid by Serbia's ally Russia to block the independence.

Kosovo, where nearly two million Muslim Albanians make up more than 95 percent of the population, has been run by the UN since a 1999 NATO campaign ended ethnic cleansing by Serbian troops.

Helping Hand

The survival of the world's newest country – small, landlocked and economically dependent on others - hinges very much on its friends.

Aware of the fact, Kosovars are hoping fellow Muslims, especially wealthy countries, will extend a helping hand.

"We need Muslim economic support to develop our new state in all fields," said imam Bajgora.

"We need Muslim investments to create new job opportunities for young Kosovars," agreed Agron Hoxha, the owner of an internet café.

Landlocked and poor apart from mineral deposits, some 45 percent of the population subsists below the poverty line of 1.5 euros a day.

Half the workforce is in formal employment, with the rest either long-term unemployed or working unofficially.

Some 30,000 young people enter the job market every year, five times the number Kosovo businesses can absorb.

The road and rail network was neglected in Yugoslav times, fell into a total state of disrepair during the 1990s, and was partly destroyed in the 1998-99 war.

Luljeta Selim, the chairwoman of Jeta Ne Kasterjot foundation, hopes Muslims would help thousands of women who were systematically raped by Serb troops during the war.

"Kosovo also needs Muslim aid for thousands of orphans who lost their parents during the war."

http://www.islamonline.net/servlet/Satellite?c=Article_C&cid=1201958027205&pagename=Zone-English-News/NWELayout
JPTF 2008/02/18

"Muçulmanos do Kosovo saúdam a independência" in BalkanInsight.com

Kosovo should celebrate in a dignified and peaceful way its independence, and its minority communities need to be protected, says the Islamic Community of Kosovo, ICK.

In a press release issued on Friday, the chief Mufti, Naim Ternava, congratulates the people of Kosovo, and urges them to be calm and to respect each other during the celebrations.

“It would be better if everyone, including the minorities were to celebrate,” the ICK statement says, adding that “this is a historic moment to be shared by everyone”.

Kosovo’s Serb minority, who make up about 5% of the population, are opposed to independence from Serbia, which is expected to be declared on Sunday.

“There was a lot of blood and tears, and a great deal of effort to ensure this day comes,” but it notes that “the day has finally arrived”.

The ICK also thanks all allies and friends who supported the independence of the UN-administered territory by stating that “thanks to Allah, the support of our friends was there”.

The statement goes on to declare that “an independent, sovereign Kosovo, integrated in the great European family and NATO would be a better future for everyone.

“The Albanian community must extend the support and protection to the Serb community in
Kosovo, because that way we will demonstrate the highest values of our civilisation.”
http://balkaninsight.com/en/main/news/7929/?tpl=299&ST1=Text&ST_T1=Article&ST_AS1=1&ST_max=1
JPTF 2008/02/18

Afeganistão foi o primeiro país a reconhecer a independência do Kosovo in BE92, 18 de Fevereiro de 2008

"We support the decision made by the people and we recognize Kosovo's independence," the troubled Asian country's Foreign Ministry spokesman said today.

This was followed by an annoucement by France after the EU ministerial meeting in Brussels today.

Reuters says that Britain, Germany and Italy followed Paris minutes later, saying they had or would imminently inform Priština of their decision.

Finland said it would be among those recognizing too.

Later during the day, U.S. Secretary of State Condoleezza Rice said that her country had formally recognized Kosovo's independence, and congratulated the "people of Kosovo".

U.S. President George Bush said Monday that the "people of Kosovo were now independent".

Bush was speaking in a live interview aired on NBC television from Arusha, Tanzania during a tour of Africa, Reuters reported.

"We'll watch to see how the events unfold today. The Kosovans are now independent. It's something I've advocated along with my government," Bush said.

Belgrade, backed by Moscow, has rejected such moves as illegal, and is seeking respect of its internationally recognized borders.

Earlier, Senators Barack Obama, Hillary Clinton and Joseph Biden all welcomed Kosovo Albanians' independence declaration.

One of the Democrats' presidential hopefuls, Clinton, called for a speedy recognition of Kosovo's independence.

Her rival, Obama, echoed the same sentiment, and added that he hoped Kosovo's authorities and people will do everything to make it a positive example of "democracy and rule of law".

Another democrat, Biden, who is the Foreign Policy Committee chair in the U.S. Senate, said he will soon call on his colleagues to join him in "expressing the Senate's support for Kosovo's independence".

Turkey was also one of the countries to support the Kosovo Albanians' moves that have been declared illegal by Serbia.

Ethnic Albanians in Kosovo Sunday declared unilateral secession from Serbia.
http://www.b92.net/eng/news/politics-article.php?yyyy=2008&mm=02&dd=18&nav_id=47809
JPTF 2008/02/18

fevereiro 15, 2008

"Quinta noite de violência na Dinamarca" in International Herald Tribune, 15 de Fevereiro de 2008


Rioting youths set fire to cars and trash bins and hurled rocks at police overnight as a spate of vandalism continued in Copenhagen and other Danish cities.

Nine youths were arrested in the capital after a fifth consecutive night of unrest, mostly in immigrant neighborhoods. Six of them would likely be charged with violence for throwing rocks at police officers, Copenhagen police operations chief Per Larsen said Friday. There were no reports of injuries.

Police said they were not sure what triggered the unrest last weekend. Some observers said immigrant youths were protesting against perceived police harassment, and suggested the reprinting of a cartoon of the Prophet Muhammad in Danish newspapers Wednesday, may have aggravated the situation.

"It has been a very busy night for the police and the firefighters here," said Henrik Andreasen, a spokesman for police in the western suburbs of Copenhagen. "It has been a bit insane."

Firefighters responded to dozens of fires in and around the capital. About 10 cars were torched in Kokkedal, north of Copenhagen, while a school in Bagsvaerd, west of the city, was partly destroyed in a presumed arson, police said.

In some cases, firefighters said they were hindered from putting out the fires by rock-throwing youths.

There were also reports of fires and vandalism in other Danish cities, including Aarhus, Ringsted and Slagelse. No arrests were made in those cities.

http://www.iht.com/bin/printfriendly.php?id=10081637
JPTF 2008/02/15

fevereiro 14, 2008

"O que a Sharia paralela significa na prática" por Daniel Finkelstein in Times, 12 de Fevereiro de 2008


I wonder whether the Archbishop of Canterbury has heard of Lina Joy?

Since Rowan Williams made his extraordinary intervention I have been in correspondence with Malaysians with direct experience of living under a parallel system of state and Sharia.

There have been numerous disputes concerning the correct courts to be used in different cases.

One of the most famous controversies concerns Lina Joy. Actually that's only her name now, her Christian name. Her birth name is Azlina Jailani, and she was born a Muslim.

In 1981 Lina Joy became a Christian and she is trying to have herself declared as such on her identity card, her MyKad. One reason is that she wishes to marry her Christian boyfriend and it is illegal for her to do this while she remains classified as a Muslim.

However her attempts to have her conversion recognised have failed.

The civil courts, and finally the highest court - the Federal court - have ruled that she can't decide on her religion for herself. She has to to be given approval by the Islamic courts. Which, of course, is not forthcoming.

As the decision was announced last May, outside the federal courts a crowd chanted Allahu Akhbar.

This is not the only type of case, by any means, where the joint jurisdiction poses fundamental problems of human rights. Another type concerns what is known as body snatching.

The conversion of non-Muslims near death without the knowledge of their families has caused fierce rows. One reason, according to my correspondents, is that conversion changes the destination of any inheritance with Islamic courts deciding and inherited assets flowing only to Muslim relatives or the community.

Divorce battles raise similar questions. Conversion by the father in the run-up to a divorce gives him crucial advantages - he gets custody, turns the children into Muslims and prevents his wife using the civil courts.

Running a dual court system produces extraordinary practical difficulties and the opportunity for human rights abuses. Just ask the campaigners in Malaysia.
http://timesonline.typepad.com/comment/2008/02/i-wonder-whethe.html
JPTF 2008/02/15

fevereiro 13, 2008

"A Xária (Sharia) é para todos!", artigo de Henryk M. Broder no Spiegel online, 12 de Fevereiro de 2008


The archbishop of Canterbury has proposed a partial introduction of Islamic Shariah law in Great Britain. This is yet another step on the part of the Western world to subjugate itself to a Muslim immigrant minority unwilling to integrate.

In the autumn of 2006, the Dutch were dismayed over a book that had been published by the country's then justice minister, in which he speculated over the introduction of Shariah law in the Netherlands.

"How can this (the introduction of Shariah) be prevented legally?" the minister wrote. "Simply calling it 'impossible' would be scandalous. The majority counts. This happens to be the essence of democracy."If two-thirds of the Dutch public favored Shariah, the minister argued, its introduction would be unavoidable.

Forced onto the defensive, the minister explained that his comment had merely been a reference "to the democratic principle" that a two-thirds majority is all it takes to amend the country's constitution.

At the same time, of course, he criticized the ongoing immigration and integration debate. "I don't like the tone of the political debate," he said. "To say: 'You must conform and accept our norms and values as your own; be reasonable, do as we do,' doesn't conform to the way I think things should be handled.'"

But the minister neglected to explain exactly how he thought things should be handled. His omission only reinforced the impression among many in the Netherlands that what he really meant was that it is not the immigrants who should "conform and accept our norms and values," but the Dutch who should conform to the norms and values of immigrants.

In the summer of 2007, Tiny Muskens, a liberal Catholic and the former bishop of the Dutch city of Breda, proposed replacing the word "God" with the word "Allah." Allah, he said, is a nice name for God and, for this reason, we shouldn't feel uncomfortable about referring to God as Allah.

A short time later, the Social Democratic mayor of Brussels, Freddy Thielemans, banned a rally - scheduled to take place on the sixth anniversary of 9/11 - to protest the gradual Islamicization of Europe. He also instructed Brussels police officers not to smoke or eat in public during the month-long Ramadan fast, so as not to offend Muslims. A bit farther south, in Zurich, police officers were asked to acquaint themselves with Islamic culture by voluntarily refraining from eating or drinking for an entire day during Ramadan.

How "Islamic Extremism" Disappeared

Meanwhile, the BBC announced a new policy on its Web site's "Section on Islam": Any mention of the Prophet Muhammad was to be followed by the phrase "Peace be upon him." The move, a BBC spokesman explained, was intended to ensure a "fair and balanced" portrayal of Islam.

It didn't take long before the British Home Office announced a new rule applicable to all official government statements: Phrases like "war on terror" and "Islamic extremism"" were no longer to be used. Home Secretary Jacqueline Jill Smith explained the reasoning behind the rule: Extremists, she said, act, not in the name of Islam, but in opposition to their faith. For this reason, she argued, their activities ought to be referred to as "anti-Islamic activities." Ms. Smith was essentially using a rhetorical trick to wipe terrorism off the table.

As is common in England, the minister's directive was accepted without much opposition. Only a handful of critical Britons were astute enough to ask why, in the days of IRA terrorism, the organization's activities were not referred to as "anti-Irish activities."

And now a British cleric wants to introduce Shariah in England. Mind you, this is not just any pastor from some tiny village in Wales, but rather the spiritual leader of the Anglican Church, Rowan Williams, archbishop of Canterbury. According to Williams, Britain must consider the fact that some citizens cannot identify with British law. Accepting some aspects of Shariah, he argued, could help to avoid social tension. Under Williams' proposal, people involved in marital conflicts and financial disputes would be able to choose between British law and Shariah.

The archbishop could actually be right -- on a purely factual level, at least. It would indeed help to avoid social tensions if Muslims were not required to observe the aspects of British law governing marriage and divorce. Even a few non-Muslims might find this option rather appealing. A "temporary marriage," as is possible under Shariah, could certainly have many advantages, especially if "temporary" means only a few hours or days.

A Cafeteria-Style Society?

But the bishop is mistaken if he believes that one can structure a society like a cafeteria, where diners can choose between meat and vegetarian menus. A little bit of Shariah is just as unrealistic as a little bit of pregnancy. Shariah regulates all aspects of life, and anyone who proposes assuming only parts of Shariah fails to comprehend its inherent inevitability. Imagine if we were to allow nudity in public swimming pools, but only under the condition that each visitor be allowed to decide which article of clothing he or she wishes to remove.

The proposal by the archbishop of Canterbury is evidence of more than just an unbelievable naiveté. It also reveals how far the idea of preventive capitulation in the face of an unsolvable problem has advanced.

Proponents of preventive capitulation would argue that because some immigrants are unwilling or unable to accept the rules of society, society should assume the immigrants' rules. For them, "integration" could also be defined as the need for the majority to conform to a minority.

Voting under the Burqa

When the day comes when coeducation has been eliminated in schools and the burqa becomes mandatory for all women, when pubs no longer serve ale and female passengers have their own separate compartments on buses and trains, where they can feel safely protected against the lustful eyes of men, that will be the day when even the last opponents of Shariah will have to admit that social tensions have in fact declined. Those who live in windowless basements need not live in fear of getting sunburned.

What's next? Will women have the right to vote without having to show their faces? What a wonderful idea! Women being allowed to show up at polling places and cast their votes while veiled from head to toe - provided, of course, they bring along two forms of identification and a witness who can vouch for their identity.

Not in England - not yet, at least. But precisely that is possible in liberal Canada, a member of the Commonwealth of Nations, whose titular head is the British monarch.

http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,druck-534772,00.html
JPTF 2008/02/12

"História dos três porquinhos considerada ‘demasiado ofensiva‘", para os muçulmanos in BBC News

A story based on the Three Little Pigs fairy tale has been turned down by a government agency's awards panel as the subject matter could offend Muslims.

The digital book, re-telling the classic story, was rejected by judges who warned that "the use of pigs raises cultural issues".

Becta, the government's educational technology agency, is a leading partner in the annual Bett Award for schools.

The judges also attacked Three Little Cowboy Builders for offending builders.

The book's creative director, Anne Curtis, said the idea that including pigs in a story could be interpreted as racism was "like a slap in the face".

'Cultural issues'

The CD-Rom digital version of the traditional story of the three little pigs, called Three Little Cowboy Builders, is aimed at primary school children.

But judges at this year's Bett Award said that they had "concerns about the Asian community and the use of pigs raises cultural issues".

The Three Little Cowboy Builders has already been a prize winner at the recent Education Resource Award - but its Newcastle-based publishers, Shoo-fly, were turned down by the Bett Award panel.

The feedback from the judges explaining why they had rejected the CD-Rom highlighted that they "could not recommend this product to the Muslim community".

They also warned that the story might "alienate parts of the workforce (building trade)".

The judges criticised the stereotyping in the story of the unfortunate pigs: "Is it true that all builders are cowboys, builders get their work blown down, and builders are like pigs?"

Animal Farm?

Ms Curtis said that rather than preventing the spread of racism, such an attitude was likely to inflame ill-feeling. As another example, she says would that mean that secondary schools could not teach Animal Farm because it features pigs?

Her company is committed to an ethical approach to business and its products promote a message of mutual respect, she says - and banning such traditional stories will "close minds rather than open them".

Becta, the government funded agency responsible for technology in schools and colleges, says that it is standing by the judges' verdict.

"Becta with its partners is responsible for the judging criteria against which the 70 independent judges, mostly practising teachers, comment. All the partners stick by the judging criteria," said a Becta spokesman.

The reason that this product was not shortlisted was because "it failed to reach the required standard across a number of criteria", said the spokesman.

Becta runs the awards with the Besa trade association and show organisers, Emap Education.

Merlin John, author of an educational technology website which highlighted the story, warns that such rulings can undermine the credibility of the awards.

"When benchmarks are undermined by pedestrian and pedantic tick lists, and by inflexible, unhelpful processes, it can tarnish the achievements of even the most worthy winners.

"It's time for a rethink, and for Becta to listen to the criticisms that have been ignored for a number of years," said Mr John.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/education/7204635.stm
JPTF 2008/02/13